Morales espera que "golpe" no Brasil não danifique economia da América Latina

La Paz, 15 mai (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, reiterou neste domingo sua condenação ao que considera um "golpe do Congresso e da Justiça" no Brasil contra a presidente Dilma Rousseff e desejou que o ocorrido não prejudique a economia da América Latina.

"Não compartilho este golpe de caráter congressional e judicial. Como não há golpe militar, agora talvez os conservadores estejam no órgão judicial, ou talvez a maioria do congresso seja de direita para dar golpe em um governo do PT (Partido dos Trabalhadores)", sustentou o líder boliviano em discurso no leste do país.

"Tomara que este fato político não prejudique muito a América do Sul e a América Latina economicamente", acrescentou o líder.

Morales ressaltou que todo o mundo conhece a potência econômica que é o Brasil e que quando nesse país há qualquer conflito, "há instabilidade política também faz muito dano à economia regional, sul-americana, até latino-americana".

O Senado decidiu na quinta-feira iniciar um julgamento político contra Dilma pelo impeachment, que deixa suas funções presidenciais em suspenso até o final do processo judicial.

A presidência do Brasil foi assumida de forma interina pelo vice-presidente Michel Temer.

O novo chanceler brasileiro, José Serra, rejeitou as críticas ao ocorrido em seu país e advertiu que "subirá o tom" se for necessário para responder às "falsidades" dos que questionam o processo que suspendeu Dilma.

Em seu discurso, o governante boliviano acrescentou que é diferente quando a direita ganha democraticamente o poder nas urnas como ocorreu na Argentina, em referência ao presidente Mauricio Macri.

"Ganhou a direita, respeitamos, embora internamente terá (na Argentina) suas consequências em temas sociais", apontou.

Morales também opinou que ao contrário do passado, quando o "império" usava militares para dar golpes e impunha ditaduras na América Latina, agora há "militares nacionalistas, esquerdistas".

Por isso, acrescentou, agora a direita, as correntes políticas conservadoras, pró-capitalistas, pró-imperialistas usam os órgãos Judicial e Legislativo para atentar "contra a democracia".

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