Agência Fitch alerta sobre consequências políticas e econômicas do "brexit"

Londres, 16 mai (EFE).- A possível saída do Reino Unido da União Europeia (UE) - chamada como "brexit" - teria consequências negativas sobre as economias dos demais membros do bloco e aumentaria os "riscos políticos" da região, afirmou nesta segunda-feira a agência de classificação Fitch.

Em comunicado, a Fitch indicou que revisará a nota soberana da dívida do Reino Unido caso o país deixe a UE, após o referendo que será realizado no próximo dia 23 de junho.

"Não devemos tomar decisões imediatas de classificação negativa sobre a dívida soberana de outros países da UE se a saída do Reino Unido ocorrer. Mas será mais provável que se imponham ações negativas a meio prazo se o impacto econômico for grave ou se os riscos políticos se materializarem", explicou a agência.

A Fitch afirmou que embora o "brexit" represente um maior impacto econômico sobre o Reino Unido do que para os demais países da UE, as "consequências serão evidentes" para todos.

Segundo a agência de classificação, as exportações da UE para o Reino Unido cairão caso se confirme a saída do país do bloco, apesar do efeito poder ser minimizado pelos acordos comerciais estabelecidos posteriormente e "do grau e da duração da desvalorização da libra esterlina".

"Os países mais afetados seriam Irlanda, Malta, Bélgica, Holanda, Chipre e Luxemburgo, aqueles cujas exportações de bens e serviços ao Reino Unido representam, ao menos, 8% de seu PIB", indicou.

No campo político, a Fitch disse que o "brexit" poderia criar um precedente para que outros países abandonem a UE, além de impulsionar "sentimentos anticomunitários" e a ascensão de "partidos populistas".

"O 'brexit' poderia mudar o centro de gravidade da UE, com o domínio do núcleo da zona do euro, mais pobre, mais protecionista e menos liberal do ponto de vista econômico. Se o Reino Unido prosperar fora da UE, outros países podem seguir o exemplo", explicou a agência em comunicado.

Nesse sentido, a Fitch avaliou que a saída britânica poderia "precipitar a independência da Escócia" e, por sua vez, "intensificar os processos separatistas em outras partes da UE".

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