Chanceler argentina avalia candidatura à Secretaria-Geral da ONU

Chtaura (Líbano), 17 mai (EFE).- A ministra das Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, disse nesta terça-feira à Agência Efe, durante uma visita a um acampamento de refugiados sírios no Líbano, que sua candidatura para dirigir à ONU está sendo avaliada e se mostrou disposta a oferecer uma visão que vem do sul.

"O presidente Mauricio Macri está avaliando isso, assim como a América Latina", afirmou Malcorra em entrevista à Efe, apesar de o cargo de novo secretário-geral da ONU estar inicialmente reservado para um candidato do leste da Europa, seguindo um critério geográfico que faz parte de uma tradição das Nações Unidas.

No entanto, para a chanceler argentina, é importante que existam outros aspirantes além dos pretendentes do leste europeu. "A região (América Latina) deve ter candidatos. Nesse contexto, meu nome está sendo avaliado", disse Malcorra, que viajou ao Líbano para visitar uma missão dos Capacetes Brancos argentinos.

"Acredito que posso trazer uma longa experiência, primeiro no setor privado, nas Nações Unidas, e agora como responsável pela Chancelaria do meu país", acrescentou a ministra, que foi ao acampamento de refugiados sírios de Al Marj, situado a cerca de 50 quilômetros de Beirute, onde a missão argentina realiza um trabalho humanitário há uma semana.

Caso realmente concorra ao cargo e seja eleita, Malcorra seria a segunda diplomata latino-americana a dirigir a ONU. O primeiro foi o peruano Javier Pérez de Cuéllar, secretário-geral da organização entre 1982 e 1992. Por outro lado, nunca um representante do leste europeu comandou as Nações Unidas.

Segundo Malcorra, para que a ONU seja mais eficiente, ela deve estar menos focada na burocracia e em sua própria organização, dando mais atenção às pessoas e ao impacto que pode trazer ao mundo.

Para a chanceler, a ONU não é encarregada de resolver os problemas, mas sentar em torno de uma mesma mesa com os protagonistas dos conflitos para resolverem suas diferenças.

"As Nações Unidas não têm a presidência do mundo. Têm a capacidade de juntar as pessoas e discutir os problemas ao redor da mesa, algo que é muitas vezes uma questão árdua, como ocorre atualmente no Oriente Médio. Evidentemente, a soma de interesses e visões cruzadas na região é tal, que não somente os atores internos em um país, como Síria ou Iêmen, mas também os globais, não encontraram a forma de resolver isso", destacou Malcorra.

A chanceler avalia que as soluções só podem ser alcançadas se as partes em disputa façam concessões. Por isso, afirmou que "existe suficiente temor que coisas piores ainda estão por vir" e pediu que a situação seja resolvida o quanto antes.

Durante a visita ao acampamento, Malcorra também se reuniu com uma delegação de mulheres e pediu que elas trabalhem unidas, cada uma com suas habilidades, para que saiam da situação em que se encontram. Após a conversa, ela explicou que os refugiados só querem voltar aos seus países de origem.

"Elas me afirmaram que não se importam em viver nas condições que têm aqui, só que haja um cessar-fogo e que a aviões parem de bombardeá-los", destacou a chanceler.

"É um pedido ao mundo, que encontrem a solução para o tema da Síria do ponto de vista político. O desgosto, a falta de esperança das pessoas, que há quatro ou cinco anos estão nessas condições, são realmente impactantes", completou Malcorra.

Para a chanceler, esse é um "momento significativo" no qual o mundo tem que se unir e assumir a responsabilidade. Além disso, deve buscar "de todas as formas possíveis resolver esse impasse que a Síria esteja onde está e produza um diálogo e uma solução política". EFE

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(foto)(vídeo)

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