Colômbia denuncia que Farc recrutaram 11.556 menores desde 1975

Bogotá, 16 mai (EFE).- A Procuradoria-Geral da Colômbia denunciou nesta segunda-feira que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) recrutaram 11.556 menores de idade, como parte de uma "política sistemática e generalizada" que aconteceu entre 1975 e 2014 e que foi atribuída aos principais líderes da guerrilha.

"A Procuradoria-Geral pôde estabelecer que isso constitui um crime internacional, que é um crime de guerra", afirmou o procurador-geral encarregado, Jorge Perdomo.

Segundo Perdomo, do total de recrutados, 33% eram mulheres e 67% homens.

A investigação da Procuradoria-Geral, desenvolvida ao longo de um ano, foi reportada um dia depois que o governo colombiano e as Farc anunciaram um acordo em Havana para a desvinculação de menores de 15 anos dos acampamentos do grupo guerrilheiro e o compromisso de trabalhar na desmobilização progressiva dos menores de 18.

Perdomo disse que a investigação, realizada por promotores e analistas da direção de Análise e Contexto (Dinac), determinou que "dentro das políticas de recrutamento de menores, as Farc estabeleceram a idade de 15 anos" como mínima para suas fileiras e milícias urbanas.

O procurador-geral mencionou que entre os "maiores recrutadores" das Farc está o atual chefe negociador da guerrilha nos diálogos de paz em Havana, "Ivan Márquez", conhecido como Luciano Marín, a quem foram atribuídos "mais de 180 casos".

Perdomo também citou Isaias Trujillo, com mais 200 casos, e Rubin Moro, apontado como responsável por cerca de 60 recrutamentos, entre outros.

"Pudemos estabelecer que esta política de recrutamento ilícito é perfeitamente atribuível ao Secretariado e ao Estado-Maior" das Farc, segundo Perdomo.

De acordo com a Procuradoria-Geral, o Secretariado das Farc é integrado por sete comandantes: Rodrigo Londoño Echeverri ("Timochenko"), "Ivan Márquez", "Joaquín Gómez", "El Médico", "Pablo Catatumbo", "Pastor Alape" e "Bertulfo", este último como suplente. Já o Estado-Maior conta com 32 chefes de frentes e blocos regionais.

Além disso, Perdomo garantiu que as investigações determinaram a existência de um "documento elaborado como guia de trabalho", chamado pelas Farc de "clubes infantis bolivarianos", por meio dos quais buscavam "se aproximar de crianças com entre cinco e 12 anos".

Assim como a existência de uma unidade militar conhecida como os "pisa suave", integrada por menores de idade e dos quais foram identificados 255 casos.

"O primeiro recrutamento forçado registrado é o de Enrique Ríos, conhecido como 'Víctor', de 17 anos, em Uribe (centro), pelo (falecido líder rebelde) Manuel Marulanda Vélez, para a Frente 16; e a primeira mulher recrutada foi Olga Flórez, conhecida como 'Amparo', de 16 anos, em maio de 1979, em Lauréis (Huila, centro)", disse Perdomo.

O titular da Procuradoria-Geral detalhou que foram analisados, entre outros, os estatutos das Farc, computadores apreendidos de líderes como "Mono Jojoy" e "Alfonso Cano", mortos em operações militares, assim como dispositivos eletrônicos e documentos da terceira e sétima conferência e planilhas do Secretariado e do Estado-Maior.

Entre as práticas utilizadas pelas Farc, a Procuradoria-Geral determinou que os recrutamentos foram feitos com base em persuasão em 47% dos casos, 23% em propaganda enganosa, e 30% foram forçados. EFE

lb/rpr

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