Incêndio no noroeste do Canadá volta a ganhar força após ventania

Julio César Rivas.

Toronto (Canadá), 17 mai (EFE).- Os fortes ventos e as elevadas temperaturas fizeram com que nesta terça-feira voltasse a ganhar força o grande incêndio no noroeste do Canadá, que agora ameaça alguns dos principais campos petrolíferos do país e obrigou a retirada de cerca de 8 mil trabalhadores.

Poucas horas depois de as autoridades canadenses ordenarem a saída dos trabalhadores de 19 explorações petrolíferas situadas ao norte da cidade de Fort McMurray, as chamas consumiram um acampamento utilizado para abrigá-los.

A primeira-ministra da província de Alberta, Rachel Notley, informou durante uma entrevista coletiva que as chamas destruíram nesta terça o acampamento Blacksand Executive Lodge, que tinha 665 unidades residenciais para as pessoas que trabalham na região.

Além dos 8 mil trabalhadores que foram retirados do local, outros 6 mil considerados essenciais para a operação das instalações petrolíferas foram transportados para o norte dos acampamentos.

O incêndio teve início no dia 1º desde mês e já obrigou a retirada de quase 100 mil pessoas da região. As equipes que combatem as chamas informaram que os fortes ventos das últimas horas permitiram que o fogo avançasse em velocidade de até 40 metros por minuto.

As autoridades explicaram que a superfície queimada pelo incêndio supera os 3.550 quilômetros quadrados, 700 quilômetros quadrados a mais do que há 24 horas.

"As condições meteorológicas estão fazendo este trabalho ficar muito difícil", explicou Notley, acrescentando que "os ventos empurrarão o fogo para mais perto de Suncor e Syncrude (duas das companhias petrolíferas), mas esperamos uma resistência nessas duas instalações".

Após a entrevista coletiva de Notley, Suncor informou que o avanço das chamas tinha obrigado a evacuação de outras duas instalações.

Através de um comunicado, a Suncor afirmou que tinha transportado um número essencial de funcionários para as operações em direção ao norte e que tinha iniciado uma escala das operações em sua usina.

A volta do incêndio coincide com a publicação de um relatório que afirma que o setor petroleiro perdeu cerca de 1 bilhão de dólares canadenses (cerca de R$ 2,718 bilhões) desde o último dia 3, quando foi ordenada a retirada dos mais de 80 mil habitantes de Fort McMurray.

Até o momento, o incêndio tinha obrigado a reduzir pela metade a produção de petróleo da região - uma das melhores reservas do mundo -, por conta da retirada preventiva de empregados.

Um relatório da Conferência Empresarial do Canadá divulgado nesta terça apontava que o incêndio seria responsável pela perda de 0,06% do Produto Interno Bruto (PIB) canadense em 2016 se as companhias pudessem retomar a produção total até o final de maio, o que parece impossível.

Para acrescentar mais problemas a uma situação já difícil, na noite da segunda-feira aconteceram duas explosões em Fort McMurray que destruíram dezenas de casas.

Notley declarou que a causa das explosões está sendo investigada, mas que a destruição das casas é prova de que antes de permitir o retorno dos mais de 80 mil habitantes de Fort McMurray será necessário analisar a situação do local.

Além do risco de explosões e incêndios em Fort McMurray, a fumaça causada pelo incêndio florestal reduziu a qualidade do ar a um nível que tornou quase impossível respirar na cidade.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos