Mais de 1.100 pessoas morreram no conflito da República Democrática do Congo

Kinshasa, 17 mai (EFE).- Mais de 1.100 pessoas morreram no nordeste da República Democrática do Congo (RDC) desde outubro de 2014 devido ao conflito entre grupos rebeldes que operam na região e a aliança entre o Exército e as tropas da Missão da ONU (Monuscu).

ONGs que atuam no país informaram sobre os números nesta terça-feira à Agência Efe. O coordenador da sociedade civil na cidade de Beni, Martin Mutamba, um dos locais mais afetados pelos combates, afirmou que, além das 1.116 mortes registradas, 1.470 pessoas foram sequestradas e mais de mil casas incendiadas.

Um grupo de ONGs locais enviou uma carta ao presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, para pedir ao governo que "cumpra com suas obrigações". Além disso, eles criticaram Kabila por não ter encontrado uma solução para o conflito, apesar de prometer várias medidas cada vez que visita a região.

Há apenas dois dias, oito pessoas morreram em ataques dos rebeldes das Forças Aliadas Democráticas (ADF, na sigla em inglês), que arrasaram uma pequena aldeia. Segundo as ONGs, o Exército da República Democrática do Congo ou a missão da ONU não fizeram nada.

"As pessoas já não confiam nele (Kabila)", lamentou Mutamba, que pediu ao presidente que instale uma base militar na região para organizar as ações contra os rebeldes.

Apesar de a culpa sempre recair sobre a ADF e as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda, cada vez há mais vozes críticas com a atuação do Exército da República Democrática do Congo. Organizações locais acusam as tropas governamentais de praticarem alguns dos ataques e saques na região.

A República Democrática do Congo está imersa em um frágil processo de paz após a segunda guerra civil do Congo (1998-2003), que envolveu vários países africanos. Há anos a ONU mantém uma força militar no país, composta de 22 mil soldados e policiais, para lutar contra os grupos rebeldes que operam no nordeste do país.

A ADF iniciou sua campanha de violência em 1996 no distrito de Kasese, no oeste de Uganda, se expandindo para várias regiões próximas à fronteira da República Democrática do Congo.

As Forças Democráticas de Libertação de Ruanda, fundadas por líderes da milícia hutu interahamwe, que orquestraram o genocídio de Ruanda, e membros do antigo Exército do país, semeiam o terror diariamente entre a população da República Democrática do Congo, uma região rica em minerais e diferentes recursos naturais.

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