Parlamento venezuelano desaprova estado de exceção decretado por Maduro

Caracas, 17 mai (EFE).- A maioria opositora do parlamento da Venezuela desaprovou nesta terça-feira o decreto de "estado de exceção e emergência econômica" ditado pelo presidente Nicolás Maduro na sexta-feira passada para fazer frente a supostas ameaças de golpe de Estado.

"É um decreto que desconhece a Constituição e, o mais doloroso, desconhece a dor da família venezuelana", disse o deputado opositor Julio Borges na sessão.

O decreto, que foi publicado ontem na Gazeta Oficial, permite, entre outras ações, "ditar medidas e executar planos especiais de segurança pública que garantam o sustento da ordem pública perante ações desestabilizadoras".

Borges, líder da bancada opositora, criticou que na norma não estejam contempladas soluções para o desabastecimento, a insegurança e outros problemas que, segundo afirmou, afetam os cidadãos do país caribenho e considerou que, ao contrário do que espera a aliança chavista, apenas os agravará.

Segundo sua opinião, "a única coisa que interessa" ao presidente é "perpetuar-se no poder", mas advertiu que "o povo venezuelano vai revogá-lo através do voto".

Por sua vez, o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, considerou que "este governo está em uma situação muito comprometida, muito frágil e muito débil e tem que fazer uso de um disparate como este (...) para tentar simular que tem força para manter-se no poder".

Segundo sua opinião, Maduro "está em situação de desespero" e desobedece a Constituição "por decreto, que é uma norma de categoria ilegal".

Por outro lado, o deputado chavista Elías Jaua acusou a bancada opositora de legislar sem ouvir aos cidadãos e indicou que, com o decreto, Maduro está evitando uma "guerra civil" que seria promovida pela oposição e "o imperialismo".

"Este decreto de estado de exceção vem para proteger os venezuelanos, para garantir o direito à vida que têm os venezuelanos", destacou.

O decreto que foi oficializado ontem é uma norma com a qual Maduro pretende fazer frente a supostas ameaças de golpe de Estado forjadas nos Estados Unidos, segundo assegurou recentemente, com a ajuda da oposição venezuelana e o apoio do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe.

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