Ex-presidentes argentinos são convocados a depor por morte do filho de Menem

Buenos Aires, 18 mai (EFE).- A Justiça da Argentina convocou seis ex-presidentes do país para prestar depoimento na causa que investiga a confusa morte em 1995 do filho do ex-mandatário Carlos Menem (1989-1999), informaram nesta quarta-feira fontes do caso.

O juiz Carlos Villafuerte chamou Fernando de la Rúa (1999-2001), Ramón Puerta (2001), Adolfo Rodríguez Saá (2001) Eduardo Camaño (2001-2002), Eduardo Duhalde (2002-2003) e Cristina Kirchner (2007-2015) para saber se seu testemunho "coincide" com o que afirma Menem, disse à Agência Efe o advogado Juan Gabriel Labaké, que representa Zulema Yoma, ex-mulher de Menem e mãe da vítima, Carlos Jr.

No último dia 13 de maio, Menem declarou perante Villafuerte, após ser liberado de guardar segredo de Estado, que o falecido ex-chanceler Guido Di Tella lhe contou que o responsável pela morte foi o grupo islamita libanês Hezbollah, segundo confirmou seu advogado Omar Daer.

"Menem revelou tudo o que tinha em seu conhecimento através do que percebeu por seus sentidos por meio das manifestações de seu ex-chanceler. Não ocultou nem deixou nada sem revelar. A realidade é que desconhecemos as perguntas e respostas que possam dar outros ex-presidentes", acrescentou hoje seu advogado.

Além disso, Daer disse que seu representado espera que o juizado esgote a investigação para demonstrar "se verdadeiramente se tratou de um atentado ou houve outra causa para a morte".

A agência estatal "Télam" afirmou que o magistrado também convocou dois ex-chefes da Secretaria de Inteligência, Héctor Icazuriaga e Fernando De Santibañez, perante a possibilidade que tenham informação secreta vinculada com a morte de Carlos Jr.

Labaké, advogado de Yoma, que sempre defendeu a tese que se tratou de um atentado e não de um acidente, comentou que sua representada não quer saber "quem fez, mas que o juiz, de uma vez por todas, reconheça que foi um atentado".

Em relação ao depoimento dos ex-presidentes argentinos, o advogado declarou acreditar que "vão dizer que não souberam de nada nunca".

Em 2014, Yoma tornou público que seu ex-marido, que sempre tinha defendido a hipótese do acidente, lhe confessou que a morte de seu filho não ocorreu devido à queda do helicóptero, mas por um tiro na testa que foi encoberto.

Daer ressaltou hoje que Menem demorou tanto em apresentar o que disse no último dia 13 de maio porque temia pela segurança de sua família.

"Quem o matou? Cada tempo que passa é tempo que se perde... É muito difícil e vai passar como a Amia ou a embaixada (de Israel). Mas pelo menos que se diga a verdade, que mataram Carlitos", afirmou a ex-mulher de Menem também no dia 13 de maio à imprensa.

Yoma fazia referência aos ataques contra a embaixada israelense em 1992 e a associação judaica Amia em Buenos Aires em 1994, dois atentados que permanecem impunes e que a coletividade judia atribui ao Hezbollah.

No entanto, Yoma revelou que Menem, que não falou publicamente, ratificou que a morte de seu filho foi "o terceiro atentado".

Labaké indicou hoje que ativou uma denúncia contra Villafuerte por "manobras dilatórias", ao acusar-lhe de "mau desempenho em suas funções" por, em sua opinião, atrasar o processo judicial.

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