Justiça uruguaia confirma absolvição dos "enfermeiros da morte"

Montevidéu, 18 mai (EFE).- A Justiça uruguaia rejeitou um recurso de apelação e confirmou nesta quarta-feira a absolvição de dois enfermeiros acusados de assassinar 15 pacientes em dois hospitais de Montevidéu e que, na primeira instância, tinham sido mantidos em liberdade por não existir "plena prova dos fatos".

O Tribunal de Apelações no Penal de Primeiro Turno uruguaio ditou sentença definitiva sobre a apelação feita pela promotora Monica Ferrero, em relação a essa primeira sentença de absolvição ditada pela juíza Dolores Sánchez em fevereiro de 2015.

A nova decisão judicial destaca que "não há indícios de peso" que sugiram que as várias mortes atribuídas a estas pessoas não tenham sido produto do "lógico desenlace dos graves quadros" que os pacientes apresentavam.

Além disso, acrescenta que "não há um resultado convincente" de que um dos enfermeiros acusados, Ariel Acevedo, tenha se tornado um "assassino em série" para matar os pacientes com injeções de ar.

O caso dos "enfermeiros da morte", como é conhecido popularmente, aconteceu em 2012, quando Acevedo e Marcelo Pereira confessaram as mortes de 15 pacientes sob seus cuidados com injeções de ar nas veias ou introduzindo drogas como morfina, entre outras, por "razões humanitárias".

Em 2013, a promotoria pediu 16 anos de prisão para Pereira e 14 anos para Acevedo "por reiterados crimes de homicídio especialmente agravados pela premeditação em grau de tentativa", mas a juíza Sánchez sentenciou que "não existe plena prova dos fatos" e absolveu os acusados.

Acevedo, que se responsabilizou da morte de dez pessoas, disse em 2013 ter utilizado uma seringa de 20 centímetros cúbicos para injetar em um número indeterminado de pacientes.

Por sua parte, Pereira foi acusado de cinco assassinatos e confessou ter "fornecido medicação que não estava no histórico clínico a pacientes que estavam em estado terminal".

No entanto, nessa oportunidade o relatório dos peritos médicos contradisse a confissão dos enfermeiros ao afirmar que a morte dos pacientes investigados "era aguardada" e em alguns casos "inevitável" em curto prazo.

Segundo informou hoje o jornal local "El Observador", a promotora Ferrero terá um prazo de dez dias para decidir se apresenta um recurso de cassação contra a decisão judicial, e se for assim, a mesma passaria para as mãos da Suprema Corte do Uruguai.

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