Parlamento paquistanês acorda criar comitê para investigar Panama Papers

Islamabad, 18 mai (EFE).- O governo paquistanês e a oposição acordaram nesta quarta-feira formar um comitê parlamentar para determinar as condições da comissão de investigação das sociedades em paraísos fiscais do primeiro-ministro, Nawaz Sharif, desveladas nos Panama Papers.

A filtragem de 11,5 milhões de documentos do escritório panamenho Mossack Fonseca revelou que três dos quatro filhos de Sharif (Hussain, Maryam e Hassan) criaram companhias nas Ilhas Virgens Britânicas através das quais controlam propriedades em Londres.

Após a divulgação da informação, Sharif ordenou formar uma comissão para investigar os casos, mas as condições estabelecidas não contentaram a oposição e nem o juiz que devia presidir o órgão.

"O governo e a oposição acordaram a formação de um comitê parlamentar composto por 12 membros, seis do governo e seis da oposição" para determinar essas condições, anunciou o ministro da Informação, Pervez Rasheed.

O político indicou que amanhã o parlamento aprovará a formação do comitê e que este disporá de duas semanas para apresentar suas recomendações.

Por sua vez, o líder do opositor Paquistão Tehreek-e-Insaf ("PTI"), Shah Mehmood Qureshi, afirmou que o comitê decidirá as condições e o procedimento para a comissão de investigação judicial sobre as sociedades do primeiro-ministro.

A filtragem do Mossack Fonseca provocou uma tempestade política no Paquistão e acusações de corrupção contra Sharif, que na segunda-feira ofereceu a formação do comitê à oposição.

Sharif anunciou em abril uma investigação dirigida pelo presidente do Tribunal Supremo, Anwar Zaheer Jamali, mas este pôs objeções às condições estabelecidas e pediu mudanças.

A oposição também não estava de acordo com a comissão de investigação apresentada pelo governo e protagonizou protestos no país asiático.

O líder do "PTI", Imran Khan, que exigiu a renúncia de Sharif pela filtragem do Mossack Fonseca, reconheceu no sábado que comprou um apartamento em Londres através de uma companhia em um paraíso fiscal quando vivia na Inglaterra nos anos 80.

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