Tártaros da Crimeia pedem criação de república autônoma na Ucrânia

Kiev, 18 mai (EFE).- Grupos tártaros pediram nesta quarta-feira à Ucrânia a criação de uma república autônoma na Crimeia, península sob o controle da Rússia, durante as celebrações do 72º aniversário da deportação em massa de representantes da minoria étnica feita pelo ditador da União Soviética Josef Stalin, em 1944.

O pedido foi aprovado durante um grande evento realizado na cidade de Guenichesk, na província de Jerson, próxima à Crimeia, península que foi anexada pela Rússia em março de 2014.

Os tártaros se dirigiram ao presidente da Ucrânia, Petro Porosonheko, para que ele promova uma reforma da Constituição antes do fim do ano, permitindo que a minoria proclame uma república no território histórico da Crimeia.

Eles também denunciaram a repressão à qual são submetidos pelas autoridades russas, cujo objetivo, afirmaram, seria expulsar definitivamente todos os membros da minoria da Crimeia.

Poroshenko afirmou que, "embora com atraso", a Ucrânia entendeu a necessidade da autonomia dos tártaros na Crimeia, para que eles tenham os "mesmos direitos que os ucranianos e russos" que moram na região. E destacou que o governo ucraniano está "obrigado" a reformar o artigo 10º da Constituição para "reconhecer o direito alienável do povo tártaro da Creia à autodeterminação do Estado soberano e independente da Ucrânia".

Os tártaros, principais habitantes da península banhada pelo Mar Negro até o Império Russo ter conquistado o território no século XVII, se negam a reconhecer o resultado do referendo que levou à anexação da Crimeia por Moscou.

Por esse motivo, no fim de abril, a Corte Suprema da Crimeia proibiu as atividades do Mejlis, a assembleia popular dos tártaros, por considerá-la como uma organização extremista ao defender a integridade territorial da Ucrânia.

Os dois principais líderes tártaros, Mustafa Dzhemilev e Refat Chubarov, estão exilados em Kiev. Em 2014, ambos foram proibidos de entrar na Rùssia por cinco anos.

O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU denunciou ontem que representantes da minoria foram intimidados, perseguidos e presos nos últimos dois anos pelas autoridades russas.

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