Comunidade indígena mundial pretende ter status de observador na ONU

Nações Unidas, 19 mai (EFE).- A comunidade indígena mundial anunciou nesta quinta-feira que está estudando a possibilidade de pedir a categoria de observador nas Nações Unidas para participar e ter mais poder de decisão nos consensos alcançados na ONU sobre seus povos.

No marco do Fórum Permanente da ONU para as Questões Indígenas, que termina nesta sexta-feira após duas semanas de sessões, o presidente do fórum, o guatemalteco Álvaro Pop, afirmou que a comunidade indígena deve avançar em uma nova categoria dentro das Nações Unidas, já que não são consideradas "nem Estados nem ONGs".

A resolução apresentada em consenso pelo fórum convoca os Estados a buscar "sociedades sem conflito" e também a ter mais presença das mulheres indígenas dentro das Nações Unidas, disse Pop em entrevista coletiva na sede da ONU.

"É preciso ser criativo na busca de mecanismos que melhorem a participação dos povos indígenas na ONU", afirmou Pop.

Neste sentido, a integrante do fórum Joan Carling ressaltou que a atual contribuição da comunidade indígena é "insuficiente", já que as decisões que poderiam afetar estes coletivos são tomadas sem levar em conta sua opinião direta.

"A qualidade de observadores seria um primeiro passo para alcançar um maior compromisso no sistema das Nações Unidas", opinou Carling.

Por outro lado, os representantes do fórum mostraram sua preocupação pela vulnerabilidade que sofrem as mulheres indígenas, que é "três vezes maior" que em qualquer sociedade em desenvolvimento.

A discriminação de gênero e as condições de pobreza nos âmbitos rurais onde vivem são as principais preocupações destacadas pelo fórum.

O presidente do debate afirmou que as mulheres indígenas são as que lideraram a luta e o diálogo nos últimos anos, e lembrou o papel da assassinada ativista e ambientalista hondurenha Berta Cáceres, uma das maiores defensoras dos direitos humanos dos indígenas em Honduras.

Por isso, uma das principais ideias destacadas pela resolução é a de fortalecer a presença da mulher dentro do sistema das Nações Unidas e no trabalho que concerne ao Conselho de Segurança para fazer com que este coletivo alcance "mais visibilidade".

"A posição dos Estados no fórum foi de diálogo e participação. Isso me dá esperanças de que a ONU ainda alcance um novo sistema para a convivência dos povos indígenas", ressaltou o guatemalteco. EFE

esb/rsd

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