Congo pede que UE retire embaixadora por "ativismo" contra presidente

Brazaville, 19 mai (EFE).- O governo do Congo pediu à embaixadora da União Europeia, Saskia de Lang, para abandonar o país devido a seu "ativismo" contra o presidente Denis Sassou Nguesso, no poder há três décadas, segundo o jornal pró-governo "Les Dépêches de Brazaville".

O Ministério das Relações Exteriores congolês pediu à UE, por intermédio de "uma nota verbal" em 9 de maio, que retirasse a diplomata holandesa, segundo declararam fontes diplomáticas locais ao jornal.

O pedido do governo congolês ocorre após a UE rejeitar enviar observadores às eleições realizadas no país em março, diante de sérias dúvidas sobre a "credibilidade" do processo, no qual Nguesso foi reeleito com 60% dos votos.

De Lang também se mostrou crítica com o referendo convocado em outubro de 2015, que permitiu a Nguesso modificar a Constituição e obter um terceiro mandato que a lei proibia até então.

Segundo fontes diplomáticas citadas pela publicação congolesa, De Lang exerceu "um ativismo contrário à Convenção de Viena que rege as relações diplomáticas entre Estados".

Na mensagem enviada à UE, as autoridades congolesas se referem à solicitação feita pela embaixadora dez dias antes das eleições presidenciais para ser recebida pelo Tribunal Constitucional, o que foi visto como "intromissão inadmissível" pelo governo de Nguesso.

"Arrogante e depreciativa com os líderes do Congo, Saskia de Lang já não merece nossa consideração", informaram as mesmas fontes.

As más relações com a diplomata europeia ficaram evidentes no sábado, quando o Ministério das Relações Exteriores congolês se negou a receber De Lang na reunião com a comunidade diplomática convocada na sede governamental para debater a situação política do país.

Em gesto de apoio à diplomata, os embaixadores de Espanha, Alemanha e Holanda declinaram participar do encontro. Em carta enviada na terça-feira passada ao governo do Congo, a UE reafirma seu apoio a De Lang, embaixadora em Brazaville desde 2014.

"De Lang tem a confiança plena de Bruxelas. Qualquer decisão por sua parte (do governo) terá um impacto sobre as relações de confiança" entre a UE e o Congo-Brazaville, expressa a carta. A UE reafirma, no entanto, o desejo de manter "o diálogo e a cooperação" com o governo congolês.

Em abril, a alta representante da UE para a Política Externa, Federica Mogherini, reconheceu as "graves deficiências" registradas nas eleições presidenciais do Congo.

O pleito foi marcado pelas duras críticas da oposição contra a antecipação da votação, marcada inicialmente para julho, e pela violenta resposta dos apoiadores de Nguesso contra alguns de seus rivais.

Nguesso chegou ao poder em 1979 apoiado pelos militares e ocupou o cargo até 1992, quando perdeu nas primeiras eleições multipartidárias do Congo.

Voltou ao poder em 1997, após uma curta e sangrenta guerra civil na qual foi apoiado pelas tropas angolanas. Desde então, o líder se manteve no poder, após ganhar o pleito em 2002 e ser reeleito em 2009.

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