Cunha alega inocência e ressalta legalidade do processo contra Dilma

Brasília, 19 mai (EFE).- O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alegou nesta quinta-feira sua inocência e defendeu a legalidade do processo de impeachment contra Dilma Rousseff.

Cunha compareceu hoje ao Conselho de Ética para prestar depoimentos sobre o processo que enfrenta por quebra de decoro parlamentar, acusado de mentir à CPI da Petrobras ao afirmar que não tem contas no exterior, para as quais teria enviado quantias procedentes dos desvios na estatal.

O parlamentar voltou a negar nesta quinta-feira que tenha contas bancárias ocultas e ressaltou que só fez investimentos em um "trust", negócio em que terceiros administram bens do contratante.

De acordo com as acusações, Cunha seria na realidade o proprietário desse fundo na Suíça, para cuja criação teria declarado um patrimônio de US$ 16 milhões, que perante as autoridades brasileiras calculou em aproximadamente R$ 1,5 milhão.

No entanto, Cunha insistiu que o dinheiro que possui no exterior é administrado por um trust sobre o qual não tem controle algum, que não participou de sua criação e que é administrado por seus responsáveis legais.

Também reiterou que o dinheiro que investiu, cujos números não detalhou, foi obtido há mais de três décadas como resultado de suas atividades de comércio exterior anteriores, que focavam sobretudo na exportação de carnes a países africanos.

Cunha, que responde a acusações de corrupção associadas ao escândalo da Petrobras, teve o mandato de deputado suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 5 de maio.

A presidente afastada, Dilma Rousseff, afirmou que o processo de impeachment iniciado contra si teve início por "vingança" de Cunha, que teria aceitado dar prosseguimento ao processo após o PT se negar a apoiá-lo no processo que enfrenta no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

Perante o Conselho de Ética, Cunha voltou a negar que tenha sido movido por algum "ânimo de represália" quando iniciou o trâmite do impeachment e reiterou que aceitou a acusação contra Dilma porque apresentava indícios de que a governante tinha violado as leis que regulam os orçamentos.

"Não se pode promover a destituição de um chefe de Estado se os fatos colocados na acusação não são aqueles previstos na Constituição e se não contrariam a lei. Mas esses fatos atentavam contra a Constituição e afrontavam as leis", declarou.

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