Fiel ao presidente Erdogan, Yildirim deve ocupar chefia do governo turco

Dogan Tiliç.

Ancara, 19 mai (EFE).- Binali Yildirim, que por mais de uma década foi ministro dos Transportes da Turquia e é um político leal ao presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, será a partir da próxima semana o novo chefe do governo turco, segundo decidiu nesta quinta-feira o partido islamita Justiça e Desenvolvimento (AKP).

Yildirim, de 60 anos, foi indicado como candidato único ao cargo em substituição de Ahmet Davutoglu, primeiro-ministro que anunciou sua renúncia no último dia 5.

Sua eleição prevista para o próximo domingo, durante o congresso do AKP, partido que governa a Turquia desde 2002 com a maioria do parlamento, praticamente lhe coloca no cargo de primeiro-ministro do país.

O Comitê Executivo do partido aprovou a indicação de Yildirim com 80% dos votos em reunião que durou apenas 45 minutos, segundo a emissora "CNNTÜRK".

A imprensa turca afirma que a escolha de Yildirim corresponde aos desejos de Erdogan, fundador do AKP, a quem também se atribui a articulação para retirar Davutoglu do poder, forçando-o a anunciar sua renúncia no início desde mês por falta de apoio do partido.

Erdogan tinha escolhido Davutoglu como seu sucessor em 2014, quando abandonou o cargo de primeiro-ministro para assumir a presidência da Turquia, posto para o qual, por mandato constitucional, teve que abdicar de sua filiação oficial ao AKP.

Mas, segundo o jornal "Sabah", próximo a Erdogan, o protagonismo de Davutoglu na política turca e sua boa imagem no exterior deram início a uma luta interna pelo poder.

A escolha de Yildirim parece deixar claro o desejo de contar com um primeiro-ministro "de baixo perfil", deixando todo o protagonismo para Erdogan, em uma inversão dos papéis políticos tradicionais na Turquia, onde o presidente costuma se limitar a funções representativas e mantém uma postura distante nos rumos dos partidos.

Embora seja cofundador do AKP e tenha sido ministro dos Transportes e Comunicações de forma quase ininterrupta entre 2002 e 2013 (e novamente desde novembro do ano passado), Yildirim nunca assumiu um perfil público destacado.

Nascido em 20 de dezembro de 1955, em Erzincan, na província da Anatólia Oriental, leste da Turquia, estudou Engenharia Naval em Istambul e tem fama de ser homem trabalhador e, sobretudo, bastante leal a Erdogan.

Projetos de grandes infraestruturas, como o trem de alta velocidade e o túnel submarino Marmaray, pertencem à pasta de Yildirim.

Três grandes projetos, também ligados a Yildirim, ainda estão em obra: a ponte sobre o Golfo de Izmit, a terceira ponte do Bósforo e o terceiro aeroporto de Istambul.

Os discursos breves e a fala pausada e monótona de Yildirim oferecem um forte contraste aos discursos de Erdogan, que Davutoglu chegou a igualar com certo êxito desde que assumiu o cargo.

O primeiro ato oficial de Yildirim como candidato foi uma visita à província curda de Diyarbakir, onde se reuniu com moradores da cidade de Tanisik para expressar seu pêsame pela morte de 16 pessoas em uma explosão na semana passada.

A explosão de um caminhão da guerrilha curda, cheio de explosivos, foi provavelmente a causa da tragédia.

Da mesma forma que em seu breve discurso de confirmação da candidatura, o ainda ministro prometeu "tirar a maldição do terrorismo da agenda da Turquia".

Uma vez confirmado Yildirim como chefe do partido, Davutoglu apresentará sua renúncia a Erdogan e este encarregará ao novo dirigente do AKP a formação de um novo ministério.

Uma vez formado, o novo governo deverá submeter-se ao voto de confiança do parlamento, onde o AKP conta com 317 das 550 cadeiras, por isso é provável que Yildirim assuma o comando do governo turco no início da próxima semana.

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