Investigador mostra provas documentais da Operação Condor em tribunal de Roma

Roma, 19 mai (EFE).- O investigador Carlos Osorio, do National Security Archive (NSA) de Washington, apresentou nesta quinta-feira, no Tribunal de Roma, na Itália, dados sobre alguns dos crimes cometidos na Operação Condor, na América Latina, durante as décadas de 1970 e 1980.

"Eu contei que existem 281 documentos que têm a ver com descrições do que foi a Operação Condor, além de documentos sobre alguns casos estudados pela Justiça italiana", disse Osorio à Agência Efe.

"Estes documentos servem principalmente para dar um marco sólido aos depoimentos das vítimas ou das testemunhas", ressaltou Osorio.

Entre o material que mostrou no tribunal há documentos procedentes dos Estados Unidos que falam dos 30 uruguaios que desapareceram em julho de 1976 ou do desaparecido argentino Horacio Campiglia, investigado pela Justiça italiana.

O material procede, segundo explicou, de "vários fundos", como a a massiva divulgação de documentos confidenciais do Chile em 1999, a revelação de quatro mil arquivos do Departamento de Estado americano sobre a Argentina e o conhecido como "Arquivo do Terror" do Paraguai.

Na opinião de Osorio, a realização do julgamento em Roma "mostra a firmeza e perseverança que tem a união dos familiares, que nunca deixarão de buscar a justiça por todas as vias possíveis".

O investigador disse que "a sede de justiça não termina nunca", como em sua opinião demonstram os casos de Argentina e Uruguai onde, apesar das anistias sobre este período, "o povo procura outras vias de julgamentos" em outros países como os Estados Unidos ou Espanha.

O Tribunal de Roma julga a Condor buscando esclarecer a morte e desaparecimento de cidadãos italianos durante a operação homônima.

No julgamento são acusados por suas supostas participação em ditos crimes, 30 antigos militares vinculados à Operação Condor: dois bolivianos, nove chilenos, quatro peruanos e 15 uruguaios.

No entanto, a maioria dos acusados, de avançada idade, não participam das audiências, nas quais estão representados por advogados, e inclusive declinaram a possibilidade de se defender através de videoconferência.

A Operação Condor foi um plano idealizado pelo ex-presidente chileno, general Augusto Pinochet, que orquestrou a repressão da oposição política nas décadas de 1970 e 1980 por parte, sobretudo, dos regimes ditatoriais de Chile, Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

Um relatório da CIA, no qual se baseia a acusação no caso do promotor italiano Giancarlo Capaldo, aponta que Peru e Equador se transformaram em membros desta operação no final dos anos 1980.

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