Negociações de paz na Síria continuarão apesar de dificuldades, indica ONU

Genebra, 19 mai (EFE).- As negociações de paz na Síria continuarão apesar das dificuldades apresentadas pela sequência da violência armada e dos obstáculos para fornecer ajuda humanitária aos civis que estão em áreas sitiadas, disse nesta quinta-feira o enviado especial da ONU para a região, Staffan de Mistura.

"Nunca abandonaremos as negociações porque elas são o único caminho para encontrar uma solução política para os mais de cinco anos de guerra civil na Síria", disse De Mistura, que atua como mediador nos diálogos entre os rebeldes e o regime do presidente do país, Bashar al Assad.

O diplomata disse que precisa encontrar um "bom momento" para convocar a quarta rodada de conversas de paz entre as partes, que girarão em torno de uma transição política na Síria, tema sobre o qual a oposição e o governo têm visões bastante distintas.

De Mistura destacou que a retomada do processo diplomático é "obviamente urgente", mas lembrou que uma convocação sem a "atmosfera apropriada" pode ser contraproducente. Para uma nova rodada, avaliou o enviado especial da ONU, é respeitar a trégua na Síria e observar melhoras humanitárias.

Sem essas condições, enfatizou De Mistura, a credibilidade das negociações de paz, que contam com apoio da ONU e do Grupo Internacional de Apoio à Síria, pode ser gravemente afetada.

As três primeiras rodadas de consultas ocorreram entre o início de fevereiro e o final de abril, sem resultados visíveis, e marcadas por acusações mútuas entre governo e oposição, assim como por combates de grande escala perto de cada período de negociação.

De Mistura destacou anteriormente que as datas das negociações devem levaram em consideração o Ramadã, que tem início em 10 de junho e se prolonga por um mês. No entanto, o mediador minimizou a suposta limitação de caráter religioso.

"Nosso respeito pelo Ramadã é enorme e somos totalmente conscientes sobre sua influência, mas se há pessoas que estão dispostas a lutar e matar durante o Ramadã, não vejo por que não poderia haver pessoas dispostas a conversar", afirmou.

O diplomata excluiu, em qualquer caso, a possibilidade de haver negociações no início ou no final do Ramadã por se tratar de um momento altamente simbólico, nos quais os finais devem mostrar seu respeito pela tradição religiosa do Islã.

Em relação à nova ofensiva lançada pelas forças governamentais sírias, apoiadas por milícias, em áreas próximas a Damasco controladas por grupos rebeldes, De Mistura disse que é preciso "dar tempo" para que a mensagem do fim das hostilidades e do reinício das negociações chegue às partes em conflito.

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