Nisman foi obrigado a se suicidar, acredita antiga promotora do caso

(Atualiza com contestação da ex-mulher de Nisman).

Buenos Aires, 19 mai (EFE).- A promotora argentina que investigou a morte de Alberto Nisman, Viviana Fein, afirmou nesta quinta-feira que acredita que ele "foi obrigado" a se suicidar porque "o instigaram ou induziram" e baseou sua teoria em cruzamentos de ligações telefônicas entre ex-agentes de inteligência e das Forças Armadas.

Em declarações à Rádio "La Red", Fein apontou que a hipótese da qual ela estava "mais perto" era a do suicídio induzido, embora não possa afirmar "com certeza" porque o caso não foi encerrado.

"Eu considero que Nisman foi obrigado, talvez seja muito provável que o instigaram ou induziram", disse a promotora que teve em suas mãos a investigaçã durante mais de um ano, até que a repassou a outra instância judicia em março.

A promotora, encarregada da investigação durante mais de um ano até que passou a uma instância superior em março, insistiu que sua opinião se baseia no "cruzamento" de ligações telefônicas que ocorreu no dia da morte do promotor que se encarregava de investigar o atentado contra uma organização judia, de Buenos Aires, no qual morreram 85 pessoas em 1994.

"Estas ligações que ocorreram durante o dia 18 (de janeiro de 2015, data da morte) fazem pensar que havia um grupo de pessoas que estava, talvez, à espera de algo", argumentou.

Entre essas pessoas Fein mencionou o antigo chefe do exército argentino César Milani, funcionários do Ministério da Justiça e ex-agentes dos serviços de inteligência, como Antonio "Jaime" Stiuso, Alberto Massino e Fernando Pocino.

A ex-promotora, aposentada desde que foi afastada do caso, especificou que essa hipótese é "preocupante, sugestiva e chamativa", que "personalidades desse calibre estivessem no mesmo dia da morte falando de forma ininterrupta desde a manhã até a divulgação da morte de Nisman".

"Poderia haver algo, por isso estávamos nessa linha de investigação de escutar um a um", expressou.

O caso mudou de tribunal em março, ao passar para a justiça federal, o que era pedido pela família do promotor, que acredita na tese do homicídio e sempre se mostrou crítica em relação à atuação de Fein e da juíza.

A ex-mulher de Nisman, Sandra Arroyo Salgado, se posicionou sobre as declarações de Fein ao afirmar que "o que (Fein) sustentava teria que ser registrado por escrito no expediente".

"Toda a prova científica que foi sendo reunida, fundamentalmente de parte dos peritos da denúncia, eu acredito que não haja dúvidas de que Alberto Nisman foi vítima de um homicídio, isto está provado porque a prova deve ser avaliada integralmente", afirmou Arroyo Salgado, em declarações à rádio "Mitre".

Arroyo Salgado ressaltou que a "lógica" e o "bom senso" apontam para a tese do assassinato e considera que Fein nunca foi "objetiva" e direcionou a investigação oficial para a hipótese do suicídio.

As palavras de Fein e Arroyo Salgado foram ditas depois que na quarta-feira vazou um áudio da conversa telefônica entre a mãe de Nisman e os serviços de emergência, após encontrar o corpo de seu filho.

Arroyo Salgado pediu hoje para não "entrar em juízos de valor" sobre o tom da conversa porque são "temas muito dolorosos".

Nisman foi encontrado morto no banheiro de sua residência de Buenos Aires com um tiro na cabeça em 18 de janeiro de 2015, quatro dias após depois de ter apresentado uma denúncia contra a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015) por encobrimento de terroristas.

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