Relação de Trump com as mulheres vira centro de debate nos EUA

Lucía Leal.

Washington, 19 mai (EFE).- A infidelidade em seu primeiro casamento e seus insultos a diversas personalidades tinham sido até agora os grandes destaques na cobertura midiática de Donald Trump, mas um novo artigo colocou a relação do magnata com as mulheres no centro do debate nacional e irritou profundamente o pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos.

Comentários preconceituosos sobre a aparência ou o peso, beijos em modelos adolescentes e qualificações das mulheres na escala de um a dez são marcas características de Trump em sua interação com o sexo feminino, como disse um extenso artigo publicado no domingo pelo jornal "The New York Times".

Várias mulheres que trabalharam ou se relacionaram com Trump prestaram depoimento para o artigo, classificado pelo magnata como "falso, mesquinho e ofensivo". A publicação chega num momento em que sua provável adversária nas eleições de novembro, Hillary Clinton, tenta consolidar seu domínio do voto feminino.

O pré-candidato já tinha exposto em entrevistas e nas redes sociais sua opinião sobre pessoas famosas como a atriz Rosie O'Donnell - "tem uma cara gorda e feia" - ou a sua antiga adversária na corrida presidencial, Carly Fiorina, de quem insinuou que ninguém com "essa cara" poderia comandar o país.

Em agosto, Trump opinou que a apresentadora Megyn Kelly deveria estar "menstruada" quando fez várias perguntas sobre sua relação com as mulheres durante um debate republicano.

A novidade do artigo do "New York Times" é que oferece uma janela a suas relações com mulheres do âmbito privado, entre elas várias modelos que participaram dos concursos de beleza Miss EUA e Miss Universo, organizados por Trump entre 1996 e 2015.

Entre as entrevistadas está a venezuelana Alicia Machado, que após ganhar o título de Miss Universo em 1996, engordou e pediu ajuda aos organizadores do concurso para perder peso.

"Me levaram a um hotel em Nova York. No dia seguinte, me levaram ao ginásio onde tinham 90 veículos de imprensa. Donald Trump estava lá. Eu não esperava isso. Estava a ponto de chorar com todas as câmeras ali. Falei: 'senhor Trump, não quero fazer isto', e ele respondeu 'não me importa", disse Machado ao jornal.

"Depois desse episódio, fiquei doente, com anorexia e bulimia durante cinco anos. Durante os últimos 20 anos, fui a muitos psicólogos para combater isto", contou.

Trump reconheceu ter pressionado Machado para que perdesse peso. "Disso eu me declaro culpado", afirmou ele ao "NYT".

Por outro lado, o magnata negou as outras acusações do artigo, como a de Temple Taggart, Miss Utah em 1997, que garantiu ao jornal que Trump se apresentou a ela beijando-a na boca; ou de Carrie Prejean, que disse que o empresário dividia as candidatas de Miss EUA "entre as que achava atraentes e as que não".

Barbara A. Res, que foi chefe de construção de Trump no anos 80, afirmou ao jornal que o magnata queria que seus clientes "pensassem que todas as mulheres que trabalhavam para ele eram bonitas" e que lhe disse uma vez: "você gosta de doces", insinuando "que estava acima do peso".

Mas a mulher mais destacada no artigo, Rowanne Brewer Lane, garantiu na segunda-feira que o jornal não contou sua história de forma "precisa" e que ela nunca sentiu ter sua imagem "denegrida" pela atitude de Trump, mas sim "lisonjeada", segundo disse à emissora "Fox News".

Segundo o artigo, o empresário conheceu Brewer - que depois se virou sua amante - numa festa em 1990 em sua residência na Flórida, onde pediu para que ela colocasse um biquíni e a apresentou aos convidados dizendo: "não é espetacular essa menina Trump?".

O protesto de Brewer sobre o artigo deu munição a Trump, que na segunda-feira condenou no Twitter a "falsa reportagem" do jornal e disse que, "das mais de 50 mulheres que entrevistaram, só escreveram sobre seis, e isso é porque havia muitos comentários positivos".

O "New York Times" defendeu seu artigo, que se transformou no mais lido da cobertura eleitoral do jornal este ano, enquanto a campanha do magnata exige um pedido de desculpas.

A campanha de Hillary Clinton não entrou na polêmica, mas um grupo ligado à pré-candidata democrata lançou nesta terça-feira um anúncio que joga mais lenha na fogueira, ao destacar várias declarações sexistas feitas por Trump.

O anúncio mereceu a condenação imediata de Trump, que disse no Twitter que Hillary Clinton não poderia criticá-lo por esse assunto, "quando seu marido (ex-presidente Bill Clinton) foi o que pior tratou as mulheres na história" do país.

Esse tema promete se transformar num dos mais marcantes da corrida eleitoral, já que Hillary e Trump devem se enfrentar nas eleições gerais, e o magnata precisa conquistar mais votos femininos.

As pesquisas apontam Hillary como a primeira mulher com opções de conseguir chegar à Casa Branca, uma vantagem sobre Trump no voto feminino, que além disso tradicionalmente é de maioria democrata, e o magnata sabe que, para derrotá-la, terá que se concentrar nesse setor.

"É preciso que as mulheres se questionem se Hillary é verdadeiramente sincera e autêntica. Ela tratou de destruir as amantes de Bill Clinton e está bajulando as mulheres agora que está interessada no poder", disse Trump em entrevista publicada na terça-feira pelo "The New York Times".

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