Acidente da Egyptair põe em xeque plano de segurança francês

Marta Garde.

Paris, 20 mai (EFE).- A França, que enfrenta o desafio de garantir a segurança da próxima Eurocopa, afirmou nesta sexta-feira que não dará prioridade à investigação sobre o desaparecimento do avião da Egyptair que fazia a rota Paris-Cairo até obter conclusões mais precisas.

Apesar de as autoridades egípcias acreditarem mais na possibilidade de um atentado terrorista do que em uma falha técnica, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault, reiterou a necessidade de manter a cautela enquanto não houver provas reais que apontem as causas do acidente.

Em estado de emergência desde os atentados de novembro do ano passado, em Paris, pelo menos até o final de julho, quando acontecerão a Eurocopa e o Tour de France, a possibilidade de uma falha no território francês minaria a eficácia do esquema de segurança francês.

O aeroporto de Paris, de onde partiu o Airbus A320 da Egyptair, na noite de quarta-feira, tem um papel importante na investigação iniciada pela Promotoria da capital francesa.

Os agentes da Gendarmaria de Transporte Aéreo (GTA) investigarão tanto os funcionários do aeroporto que possam ter tido contato com a aeronave como os das empresas terceirizadas de limpeza e abastecimento.

As investigações também se concentram na lista de passageiros e da tripulação, embora os egípcios afirmem que neste momento não há indícios de suspeitos.

Um diretor da Polícia de Fronteiras (PAF) disse hoje ao "Le Figaro" que no ano passado foram encontrados salafistas entre as pessoas com autorização para acesso aos locais de carga e descarga, e que desde o mês de dezembro retirou o passe de 70 dos 8.500 agentes que trabalham nos setores mais sensíveis do aeroporto "por radicalização".

As 8 mil câmeras de segurança do aeroporto parisiense, se somam ao quebra-cabeças com o qual se tentam desde a quinta-feira desvendar o que teria acontecido com o avião, que sumiu dos radares, acabasse caindo no Mediterrâneo.

O Airbus A320 da Egyptair, segundo o site especializado "flightradar", tinha passado no mesmo dia por Eritreia, Egito e Tunísia. Sua escala em Paris, após ter vindo do Cairo, durou pouco mais de três horas.

"A investigação corre contra o relógio, porque se houve cumplicidade em Paris, todos terão que ser encontrados rapidamente todos os membros da organização, que poderiam voltar a atacar", opinou hoje o "Le Figaro".

O último fato parecido que aconteceu com uma aeronave foi no dia 31 de outubro, quando um Airbus da companhia aérea russa MetroJet foi derrubado por membros egípcios do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que afirmaram ter colocado uma bomba de fabricação caseira no interior do avião em seu interior antes que deixasse o Aeroporto Sharm el-Sheikh.

"Em todas as linhas de risco seriam necessários scanners corporais para detectar explosivos, mas ainda não é possível", lamentou um especialista em segurança aérea.

Os destroços do avião, alguns dos quais já foram encontrados, poderiam ajudar a esclarecer o acidente. A França participa da busca com um avião Falcon 50 da Marinha que esteve já trabalhando na quinta-feira, ao que se vai a somar outra aeronave, um Atlantic 2, que chegou à a ilha de Creta.

Três especialistas do órgão francês de Investigação de Acidentes aéreos (BEA) e um conselheiro técnico do fabricante aeronáutico Airbus também se encontram no Cairo para colaborar com as autoridades egípcias.

"Devemos a verdade aos familiares" e isso significa que "temos que fazer o possível para saber o que realmente aconteceu", afirmou Ayrault, lembrando que das 66 pessoas que viajavam no Egyptair, 15 eram de nacionalidade francesa.

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