Panama Papers são "ponta do iceberg" de empresas offshore, diz especialista

Montevidéu, 20 mai (EFE).- Os Panama Papers são "a ponta do iceberg" sobre a situação mundial das empresas offshore, já que o vazamento dos documentos do escritório Mossack Fonseca "foi um golpe certeiro" para que os países "se deem conta" da mesma, disse nesta sexta-feira em Montevidéu o analista panamenho Julio Aguirre.

"A empresa, dentro de sua marca e sua estrutura, aplica o que está contemplado em cada país e cada jurisdição (na qual opera). A localização dela em diferentes países era a melhor oportunidade para poder mostrar o que acontece no mundo todo", explicou Aguirre aos veículos de comunicação após sua participação em um congresso.

Para o especialista em finanças, que se encontra em Montevidéu por ocasião do 4º Congresso de Prevenção de Lavagem de Ativos das Américas, o caso permitiu vislumbrar a ramificação do escritório panamenho em nível internacional, inclusive em países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), na criação de empresas offshore.

Aguirre, que integrou o grupo de trabalho para que o Panamá conseguisse sair no início de 2016 da "lista negra" contra a lavagem de dinheiro do Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi), ressaltou que a legislação do país para a constituição de sociedades é um "copiar e colar" de outras jurisdições vantajosas para a criação de offshores, como o estado de Delaware, nos Estados Unidos.

"A batalha do Gafi foi completada satisfatoriamente. O Gafi nos considera cumpridores técnicos e assim manifestaram em sua sentença, que saiu depois que os Panama Papers já eram de conhecimento público", destacou Aguirre.

"Atualmente nossa batalha é atender o que está contemplado pela OCDE como troca de informação automática no que é busca de transparência entre países", acrescentou.

No entanto, o alcance dos Panama Papers também envolve jurisdições pertencentes à OCDE, como no caso dos Estados Unidos que têm um grande número de empresas extraterritoriais.

"O que acontece nos demonstra que há ajuste que inclusive os países da OCDE têm que pôr sobre a mesa o tema de troca de informação", disse Aguirre.

Consultado sobre a obscuridade na qual operam as sociedades extraterritoriais, até dentro de um marco de legalidade, o analista ressaltou que a eliminação das mesmas não é uma solução.

Por isso enfatizou que o que cada país deve fazer é um "ajuste ao sistema de constituição de empresa" que defina claramente quem é o "beneficiado final" de cada uma, para reduzir a "dependência de terceiros" que possam diminuir a transparência.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos