Vazamento dos Panama Papers foi interno, segundo especialista russo

Cidade do Panamá, 20 mai (EFE).- O vazamento dos chamados Panama Papers, 11,5 milhões de documentos do Mossack Fonseca, aponta para a participação de "alguém de dentro" do escritório panamenho, "como ocorre em muitos casos, todos os dias, no mundo", considerou nesta sexta-feira o especialista em crimes cibernéticos Yuri Gubanov.

O russo Gubanov, presidente da empresa Belkasoft, com presença em 70 países do mundo, visitou pela primeira vez o Panamá, convidado pela firma local de segurança cibernética Rissco, para compartilhar com empresários o alcance das ferramentas digitais para investigar os crimes cibernéticos.

Gubanov disse à Agência Efe que é variável o tempo que leva para copiar a informação contida em dois terabytes de memória digital, como o ocorrido no Mossack Fonseca, cuja revelação provocou um escândalo global pelo uso de empresas offshore para supostamente sonegar impostos e lavar dinheiro através de 21 paraísos fiscais.

"Em duas horas não se rouba essa informação pela internet. Por isso tenho a ideia que foi um fator humano. Pessoalmente acho que foi de dentro da empresa", declarou, em referência ao que se conhece como "engenharia social" ou a prática de subornar um empregado que sai mais barato "que comprar equipamentos milionários para hackear".

"Vi muitos casos como este, mas não desse tamanho. Imagine só, dois terabytes... Se a infraestrutura da companhia tem esse volume de dados, é rapidamente identificado pelo pessoal técnico. Não é descarregar um byte, isto é muito maior e se tivesse sido feito online, no dia seguinte teriam detectado", esclareceu.

Gubanov afirmou que também é possível, em teoria, "roubar a informação dos servidores de back-up" com os quais as empresas contam para preservar sua informação.

"Se alguém tem as credenciais, as chaves de segurança (tokens), teoricamente é possível fazer o download disto de fora da companhia, da nuvem, mas se foi assim ou não, é algo que não posso dizer", destacou.

O analista russo, que trabalha com o FBI, a Polícia Montada do Canadá, a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA e até empresas como Deloitte e Ernst & Young, explicou que quanto mais aparatos digitais as pessoas têm, mais prolixa é uma investigação para detectar a pista deixada por um hacker.

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