Pequim ameaça acabar com contatos bilaterais se Taiwan buscar independência

Pequim, 21 mai (EFE).- O governo da China ameaçou o novo Executivo de Taiwan com o fim das comunicações bilaterais se a ilha não reconhecer que existe "apenas uma China", um dia depois do discurso de posse da nova presidente, a independentista Tsai Ing-wen, que recebeu críticas de Pequim por sua ambiguidade.

O porta-voz do Escritório de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, o Executivo da China, Ma Xiaoguang, advertiu neste sábado que a única maneira de continuar com "as comunicações regulares" entre Pequim e Taipé é "confirmando a adesão" ao Consenso de 1992.

Este consenso é uma fórmula pela qual as duas partes aceitam o princípio de que só existe uma China, mas cada uma difere sobre o significado desse conceito: enquanto para uns "China" é a comunista (Pequim), para outros "China" é a democrática (Taipé).

Em declarações publicadas hoje pela agência oficial de notícias "Xinhua", Ma afirmou que este mecanismo ajudou as duas partes a manter contato periódico, evitar mal-entendidos, manter as discordâncias "sob controle" e impulsionar a confiança mútua e o entendimento.

A Associação para as Relações de Ambos os lados do Estreito de Taiwan, cuja sede fica na China continental, também aderiu hoje a essa advertência e afirmou em comunicado que seguirá as negociações e seu contato com seu colega em Taiwan sempre e quando "for permitido" a este reconhecer o Consenso de 1992, que Pequim interpreta como a aceitação de que a ilha é parte da China.

Essas declarações chegam um dia depois de a nova presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, ter tomado posse do cargo e reconhecido em seu discurso inaugural "o marco histórico" que significou a reunião em 1992 entre China e Taiwan, mas não que lá se chegou ao Consenso de 1992, e não mencionou explicitamente que Taiwan é parte da China, como queria Pequim.

Tsai não mencionou o termo "uma China", nem disse que "Taiwan é parte da China", mas que o que houve em 1992 foi "um reconhecimento comum" entre Taipé e Pequim para "deixar de lado as diferenças e buscar um terreno comum".

"Manejaremos os assuntos através do Estreito (de Formosa, que separa ambos os territórios), de acordo com a Constituição", afirmou Tsai, em um reconhecimento indireto de que a ilha pertence à China, não a comunista, mas à República da China, o nome oficial de Taiwan.

Em resposta às palavras de Tsai, Pequim acionou sua indústria midiática e, através de diferentes veículos de mídia controlados pelo Partido Comunista Chinês (PCCh), pressionou a nova governante taiwanesa a aderir ao citado consenso.

"É importante para o a China continental obter uma resposta clara por parte de Tsai sobre o princípio de uma única China. É um princípio-chave que não deveria ser substituído por um jogo de palavras ambíguas", opinou o jornal governista "Global Times" em editorial.

"Não há lugar para retroceder neste assunto. Se fizermos concessões, as forças radicais de Taiwan vão pensar que podem avançar na independência taiwanesa", acrescentou a publicação.

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