Trump reduz vantagem de Hillary e dá sinais que pode vencer eleições nos EUA

Cristina García Casado.

Washington, 22 mai (EFE).- A democrata Hillary Clinton parte como favorita em uma eventual disputa contra o republicano Donald Trump nas eleições à presidência dos Estados Unidos, mas sua vantagem está diminuindo e cresce a dúvida se o polêmico empresário pode realmente chegar à Casa Branca.

Enquanto boa parte do país ainda tenta acreditar que Trump se tornou o virtual indicado do Partido Republicano ao pleito de novembro, as pesquisas indicam uma redução da vantagem de Hillary contra ele e apontam que a ex-secretária de Estado está longe da vitória arrasadora prevista por muitos analistas inicialmente.

A ex-primeira-dama e ex-senadora só supera o magnata nova-iorquino, que não tem nenhuma experiência política, por 3,1 pontos percentuais, de acordo com a média de pesquisas elaborada pelo site "Real Clear Politics".

Em duas pesquisas divulgadas ao longo desta semana, Hillary vence Trump por seis pontos percentuais na realizada pela emissora "CBS" junto com o "The New York Times". Por outro lado, o empresário supera a adversária democrata por três pontos no levantamento encomendado pela "Fox News".

Outra pesquisa divulgada neste domingo, elaborada em parceria pela emissora "ABC News" e pelo "The Washington Post", coloca os dois rivais tecnicamente empatados. Considerados apenas os eleitores registrados consultados, Trump venceria Hillary por 46% a 44%, mas a vantagem está dentro da margem de erro de 3,5 pontos percentuais.

O que mais impressiona, porém, é que o pré-candidato republicano ganhou 11 pontos percentuais desde março, quando foi publicada a última pesquisa "ABC News"/"The Washington Post".

O empresário vem reduzindo a vantagem da democrata desde 4 de maio, quando se transformou no virtual candidato republicano após as desistências de seus adversários Ted Cruz, senador pelo Texas, e John Kasich, governador de Ohio, após a vitória de Trump em Indiana.

"Trump já não tem oponentes nas primárias, enquanto Hillary sim. Ela pode ter um crescimento nas pesquisas quando (Bernie) Sanders abandonar (sua candidatura)", explicou à Agencia Efe a analista do Centro para a Política da Universidade da Virgínia, Kyle Kondik.

"Se Sanders se negar a apoiá-la ou se houver algum tipo de divisão da ala esquerdista do partido, isso poderia ajudar Trump", indicou a especialista sobre a disputa entre os democratas.

Ciente da importância de começar a se concentrar em Trump o mais rápido possível, Hillary aumenta a pressão para que Sanders deixe a corrida do partido, mas o senador por Vermont mantém o discurso de que disputará as primárias até a convenção do partido em julho.

A esperança de Hillary é que, uma vez indicada, todos os democratas se unam em torno dela para evitar que o empresário, considerado como imprevisível, de retórica xenófoba, ultranacionalista e sexista chegue à Casa Branca.

A possibilidade de Trump presidir o país assusta 47% dos americanos, segundo uma recente pesquisa da "NBC News". Além disso, proliferam, como em nenhum outro momento da história dos EUA, os artigos e campanhas que veem sua ascensão ao poder como uma autêntica catástrofe de consequências inimagináveis.

Caso confirmado como indicado republicano, Trump será o candidato à presidência do país com o maior índice de reprovação da história, entre 60% e 70%, de acordo com os últimos dados do Instituto Gallup.

Isso deveria ser suficiente para que Hillary vencesse tranquilamente em novembro, mas a ex-primeira-dama também tem altas taxas de rejeição, de cerca de 50%, também segundo o Gallup.

A pesquisa ABC News/The Washington Post divulgada neste domingo confirma esse desgosto do eleitor com Hillary e Trump. Seis de cada dez entrevistados afirmaram que têm impressões negativas sobre ambos os candidatos dos dois principais partidos do país.

Outra recente e polêmica pesquisa da Universidade Quinnipiac, que baseia seus resultados na hipótese de que os brancos irão mais às urnas do que as minorias em relação ao pleito de 2012, destacou que a mobilização de cada grupo de eleitores será essencial.

Se os brancos forem mais incentivados a votar nas próximas eleições, algo que ficou evidente com as arrasadoras campanhas de Trump e do próprio Sanders, o magnata vencerá Hillary em Ohio, onde o presidente Barack Obama superou os republicanos John McCain, em 2008, e Mitt Romney, em 2012. Já os estados "divididos" da Flórida e da Pensilvânia seriam disputados voto a voto.

Se repetir o desempenho de Romney em 2012 e conseguir somar esses três estados, Trump seria eleito.

Mas essas são eleições atípicas, nas quais também se pode colocar em dúvida estados que tradicionalmente foram redutos seguros para republicanos ou para os democratas.

"A retórica de Trump como os imigrantes poderia fazer com que estados como Arizona, Colorado e Missouri estejam ao alcance dos democratas devido à relevância da população hispâna", afirmou em artigo o vice-presidente e diretor de Estudos de Governo do "think tank" Brookings Institution, Darrell West.

"Por outro lado, o forte apoio a Trump entre eleitores brancos de classe média sugere que ele pode ser competivivo em estados do cinturão industrial, como Ohio, Pensilvânia, Michigan, Wisconsin e Minnesota", apontou o especialista.

O magnata tem grande respaldo entre os eleitores brancos sem educação superior, enquanto Hillary vence com ampla vantagem entre os afro-americanos, latinos e mulheres.

Apesar das previsões, ainda faltam seis meses para as eleições, período no qual as circunstâncias sociais e econômicas podem sacudir um cenário que já muito difícil de prever.

"Trump pode vencer sob circunstâncias como um enfraquecimento da economia, um grande ataque terrorista nos EUA ou um surto grave do vírus zika no país", indicou West à Efe.

Ainda assim, embora os analistas concordem que Hillary parte como favorita, muitos poucos se atrevem a dizer com firmeza que Donald Trump não será presidente dos EUA.

A lição dessas eleições, avaliam, é que tudo é possível.

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