Vitória governista e ascensão de 3 novos partidos marcam eleições no Chipre

Nicósia, 22 mai (EFE).- Os resultados finais das eleições legislativas realizadas neste domingo no Chipre confirmaram a vitória do partido do presidente Nicos Anastasiades, o conservador DISY, e a ascensão de três novas legendas, entre elas um grupo ultranacionalista, que pela primeira vez chegam ao parlamento.

Oito partidos formarão o novo parlamento após os resultados obtidos no pleito, convocado para a renovação de 56 cadeiras, apesar de 33% dos 542.915 eleitores terem preferido a abstenção, o índice mais alto da história das eleições legislativas do país.

Com 100% dos votos apurados, o DISY obteve 18 cadeiras e confirmou assim as previsões de todas as pesquisas, apesar de ter perdido duas em relação as 20 que possuía na última legislatura.

O AKEL, partido de orientação comunista, apesar de ter ficado com o segundo lugar ao registrar 25,7% dos votos, é o grande perdedor do pleito, ao ficar com 16 cadeiras, três a menos que antes das eleições legislativas.

"Não estamos satisfeitos com o resultado", disse o secretário-geral do AKEL, Andros Kyprianu, que atribuiu o menor número de votos do partido à elevada abstenção registrada no pleito.

Os centristas do DIKO ficaram na terceira posição e perderam uma cadeira. Dessa forma, o partido terá oito representantes no novo parlamento. O mesmo ocorreu com os sociais-democratas do EDEK, que passou de cinco para quatro cadeiras no Legislativo.

Por outro lado, quem avançou foram os ecologistas, que agora terão três parlamentares, contra apenas um na legislatura anterior.

Três partidos superaram pela primeira vez a cláusula de barreira de 3,6% dos votos para ingressar no parlamento: os populistas da Aliança de Cidadãos (que conseguiram 5,8% dos votos e três cadeiras), o Movimento de Solidariedade (também com três cadeiras e 5,2% dos votos), e a Frente Nacional Popular (ELAM), aliada do partido neonazista grego Amanhecer Dourado (com 3,7% dos votos).

Os líderes tanto dos partidos vencedores, como dos perdedores, concordaram ao destacar a preocupação com a elevada abstenção em suas declarações após a divulgação do resultado final.

"Nós, do DISY, recebemos a mensagem do povo", disse o líder dos conservadores, Averof Neofitu, que lembrou a grande crise econômica enfrentada pelo Chipre em 2013.

O Chipre abandonou com sucesso em março o programa de resgate que teve que se submeter em 2013, quando seu sistema financeiro entrou em colapso, o que obrigou que o governo pedisse um auxílio de 10 bilhões de euros.

"Conseguimos sair do programa e restauramos a credibilidade de nosso país. Nós enfrentamos grandes desafios", disse Neofitu.

Analistas políticos destacaram que os resultados indicam uma redução da bipolaridade direita-esquerda no país.

Embora 56 deputados da Câmara dos Representantes tenham um poder que se limita estritamente ao trabalho legislativo, pois o Chipre tem um sistema presidencialista e o chefe de Estado é também o de Governo, analistas locais concordam que a atitude dos partidos pode ser determinante em um possível futuro referendo sobre a reunificação do país.

Enquanto DISY e AKEL - que governou o país entre 2008 e 2013 - são pró-unificação com a parte turca do país, partidos como o DIKO são contrários à medida.

O bom resultado de ambos pode representar um estímulo ao processo de paz entre as comunidades grega e turca iniciado em abril de 2015 sob a chancela da ONU.

O território do Chipre está dividido desde 1974, quando as tropas turcas invadiram a parte norte da ilha e criaram a autodenominada República Turca do Norte, que anunciou sua independência em 1983 sem obter reconhecimento da ONU ou da comunidade internacional.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos