Trump segue atacando outros republicados e ignora chamadas do partido

Raquel Godos

Washington, 29 mai (EFE).- O virtual candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, continuou lançando nesta semana duros ataques contra os membros de seu próprio partido, longe de responder às reiteradas chamadas de unidade da liderança conservadora após sua vitória nas primárias.

Apesar de alcançar o número mágico dos 1.237 delegados necessários para assegurar a indicação republicana, o magnata imobiliário não retrocedeu em seu empenho de lançar ataques contra alguns de seus correligionários e menosprezá-los em referência aos cargos que ocupam.

Entre seus alvos de ataque mais recorrentes está o ex-candidato à presidência pelo Partido Republicano em 2012, Mitt Romney, a quem o multimilionário decidiu qualificar nesta semana de "pinguim".

"Pobre Mitt Romney. Tenho uma loja que vale mais dinheiro que ele. (...) Olhem, caminha como um pinguim", disse Trump em um de seus discursos de campanha em Anaheim, Califórnia, onde serão realizadas as primárias em 7 de junho.

"Entendo os perdedores -continuou em referência ao ex-governador de Massachusetts- é possível fazer muito dinheiro com os perdedores", assegurou, antes de acrescentar que Romney "se engasga como um cachorro".

Trump não quis terminar seu discurso sem lembrar a "apatia" do ex-aspirante à indicação republicana Jeb Bush, que também rejeitou respaldar o magnata, da mesma forma que seu irmão e seu pai, os dois ex-presidentes Bush.

Mas as desqualificações apontadas pelo ex-candidato presidencial para o ex-governador da Flórida não são as que mais preocupam no seio do partido, já que atualmente Romney e Bush não ocupam nenhum cargo eleito, no entanto, Trump também não se intimida de disparar contra os que estão em atividade.

Foi o caso da atual governadora do Novo México, a republicana Susana Martínez, que foi a primeira mulher latina governadora de todo o país e além disso preside a Associação de Governadores Republicanos.

Os ataques contra Martínez chegaram em seu próprio estado, na cidade de Albuquerque, onde Trump ofereceu outro comício de campanha ao qual a governadora não assistiu, mas no qual acabou sendo protagonista por ser alvo dos comentários do multimilionário.

Em aparente referência à sua ausência, o magnata reiterou em diversas ocasiões que Martínez "não está fazendo seu trabalho" e a criticou por "permitir a entrada de refugiados sírios", o aumento de residentes do Novo México que requerem ajuda com cupons de alimento e a alta do desemprego na cidade.

"É culpa de sua governadora. Ela tem que fazer um melhor trabalho, não?", reiterou várias vezes Trump, que brincou que talvez tivesse que concorrer como candidato para substitui-la.

Martínez é um dos principais rostos do partido que se negou a dar respaldo oficial ao magnata, entre outras razões pela retórica contra os imigrantes da qual Trump se refere, e que em um estado como o seu, com altíssimos índices de população latina, poderia trazrr graves consequências.

No entanto, a governadora não está só, e vários líderes republicanos saíram em sua defesa, evidenciando mais uma vez que o Partido Republicano e Trump têm um difícil caminho pela frente.

Perguntado pela polêmica, o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, apoiou sua companheira em um encontro com a imprensa, ressaltou a qualidade política de Martínez e a qualificou de "grande amiga".

Ryan, um dos grandes pesos pesados do Partido Republicano, segue recusando dar apoio ao magnata de maneira oficial apesar dos escritórios de ambos estarem em "contínuo contato", segundo disse, e reiterou esta semana que segue sem "estar pronto" para dar um passo à frente em favor de Trump.

Enquanto isso, outros líderes republicanos, como o presidente do Comitê Nacional Republicano (RNC, em inglês), e o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, continuam pedindo a sua bancada que se alinhe com o multimilionário apesar das profundas diferenças que o separam da liderança do partido.

O objetivo comum, argumentam, é conseguir vencer a favorita entre os democratas à Casa Branca, Hillary Clinton, mas muitos republicanos do Congresso temem perder seu assento no Legislativo se se aproximarem de um candidato tão radical como Trump, que, como demonstrou nos últimos dias, não parece estar muito disposto a baixar o tom de sua campanha.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos