UE alerta para aumento da xenofobia devido a terrorismo e imigração

Viena, 30 mai (EFE).- A chegada de milhares de refugiados à União Europeia e ataques terroristas como os de novembro passado em Paris alimentaram em 2015 a xenofobia e o racismo, segundo indicou um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Agência de Direitos Fundamentais (FRA) da UE.

"Em 2015, sentimentos xenófobos saltaram em vários membros da União Europeia (UE), alimentados em grande parte pela chegada de grandes quantidades de solicitantes de asilo e imigrantes, assim como pelos ataques terroristas de Paris e Copenhague", afirmou o organismo comunitário, com sede em Viena.

Em seu relatório sobre direitos fundamentais referente a 2015, a agência lembra que embora a chegada de refugiados tenha despertado grandes demonstrações de solidariedade, também ocorreram protestos e atos de violência contra os imigrantes.

A FRA lembra que o perfil dos autores desses ataques terroristas é o de jovens muçulmanos, cidadãos da UE descendentes de imigrantes que se radicalizaram em seus países e receberam treinamento terrorista em bases no Oriente Médio.

A agência lembra que a população muçulmana da Europa foi intensamente estudada e que os refugiados e imigrantes, muitos deles dessa religião, foram vítimas de violência racista.

O relatório afirma que enquanto em 2014 ocorreram na Alemanha 203 ataques a centros de amparo a refugiados, o número de incidentes subiu para 1.015 no ano passado.

Se nos anos anteriores as autoridades alemãs indicaram que esses ataques tinham uma motivação ideológica de extrema esquerda, em 2015 a tendência se reverteu e os autores dos ataques se identificam principalmente com a extrema direita.

O organismo lembra que a Europol advertiu que "os atos de violência do grupo jihadista Estado Islâmico têm o potencial de aumentar o número e a intensidade das atividades, tanto legais como ilegais, da extrema direita".

Além desses episódios de violência, a FRA se refere ao tom do discurso político usado pelos governos de vários países, como Hungria, Estônia e Eslováquia, no qual se indica que o fato de muitos refugiados serem muçulmanos representa um risco para os valores e as tradições dos países europeus.

A agência menciona dados do Eurobarômetro de 2015, que mostram que a maioria dos cidadãos da UE se sente mais tranquila ao trabalhar com cristãos, judeus, ateus ou budistas do que com muçulmanos.

"Os ataques terroristas deste ano (2015) reforçaram os estereótipos do islã e os muçulmanos como uma ameaça à segurança, parcialmente alimentados pela preocupação sobre os chamados "combatentes estrangeiros" que retornam à UE", explicou a FRA.

O diretor do organismo, Michael O'Flaherty, se referiu em comunicado a como, em 2015, "a determinação da UE sobre direitos humanos foi posta a toda prova dolorosamente, com ataques a muitas das liberdades, direitos e valores nos quais a UE se baseia".

"A União Europeia e seus Estados-membros têm que se manter firmes na defesa dos direitos aos quais todos legalmente têm direito, bem tenham vivido na UE por gerações, bem acabem de chegar ao litoral da Europa", reivindica o dirigente.

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