Número de deslocados no Afeganistão duplica nos últimos 3 anos

Cabul, 31 mai (EFE).- O Afeganistão dobrou o número de deslocados internos por conta da escalada do conflito no país, atingindo a casa de 1,2 milhões nos últimos três anos, de acordo com um relatório divulgado nesta terça-feira pela Anistia Internacional (AI).

O dossiê, apresentado hoje em Cabul sob o título "Meus filhos vão morrer neste inverno", destacou que em 2013 o número de deslocados era de 500 mil, mas o aumento dos confrontos entre as forças de segurança e os diferentes grupos rebeldes obrigou que mais civis deixassem seus lares em direção a outras zonas mais seguras do país.

No ano de 2015, 335 mil afegãos tiveram que abandonar seus lares pelo conflito, 78% a mais que em 2014. E só nos quatro primeiros meses deste ano houve 118 mil deslocados, o que representa aproximadamente 1 mil pessoas por dia, detalhou o documento.

Um dos pesquisadores que elaborou o relatório, Olof Blomqvist, ressaltou durante sua apresentação a situação na qual se encontram esses deslocados, que hoje são as "pessoas mais vulneráveis no Afeganistão". Entre os desafios que eles enfrentam, Blomqvist destacou o acesso diário à alimentação, moradia, saúde e educação.

Os deslocados aumentaram de forma considerável em províncias do norte e oeste do país como Badakhshan, Baghlan, Takhar e Kunduz, acrescentou o estudo.

A cidade de Kunduz, capital da província homônima, foi ocupada durante uns dias no ano passado pelos talibãs, o que levou a sua maior conquista militar desde a invasão dos Estados Unidos em 2001, gerando um grande fluxo de deslocados.

Os confrontos entre as tropas afegãs e os grupos rebeldes se juntaram ao choque entre os próprios talibãs pela liderança do movimento após a recente morte do mulá Akhtar Mansour.

O dossiê da AI critica o abandono do governo afegão ao grupo de de deslocados, ilustrando a entrevista com uma centena de membros deste grupo.

Um desses deslocados, o sexagenário Habibullah, explicou à Agência Efe durante a apresentação do relatório que ele e sua família vivem em tendas de campanha em Cabul há 14 anos, e ninguém se preocupou em fornecer um abrigo estável. Além disso tiveram problemas com as forças de segurança.

"Em junho do ano passado vários membros da polícia quiseram nos retirar a força de nossas tentas e quando nos negamos, abriram fogo contra nós", revelou Habihullah, afirmando que na ocasião duas pessoas morreram e 15 feridos, entre eles ele e um de seus filhos. EFE

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