Kiev diz que Rússia aceitou missão policial internacional na Ucrânia

Kiev, 1 jun (EFE).- O chefe adjunto do governo da Ucrânia, Konstantin Yeliseev, afirmou nesta quarta-feira que a Rússia aceitou o envio de uma missão policial internacional ao leste de seu país sob a proteção da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Segundo Yeliseev, o presidente russo, Vladimir Putin, concordou em negociar os detalhes da missão policial da OSCE durante uma conversa telefônica que teve no dia 23 de maio com líderes de Ucrânia, Alemanha e França.

"Concordamos em começar a trabalhar em Viena (sede da OSCE) entre os representantes permanentes do 'formato da Normandia' (Ucrânia, Rússia, Alemanha e França), com a perspectiva de envolver todos os países-membros da OSCE, cujo consenso será necessário para realizar a missão", disse Yeliseev à agência de notícias ucraniana "Interfax".

Kiev ressaltou possuir "as gravações de todas as conversas telefônicas" entre os líderes dos quatro países, incluindo Putin, que mostrariam que o presidente russo aceitou essa medida para garantir o cumprimento do cessar-fogo como parte do Protocolo de Minsk para o fim pacífico do conflito na Ucrânia.

Yeliseev denunciou que a Rússia não hesitou em faltar à negociação dos acordos de 23 de maio quando se negou a enviar seus especialistas a Berlim "para discutir os componentes políticos e de segurança para resolver a situação em Donbass (regiões separatistas pró-Rússia ucranianas de Donetsk e Lugansk)", disse.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Grigory Karasin, desmentiu em seguida as palavras de Yeliseev ao afirmar que Moscou não deu sinal verde a nenhuma missão policial nos territórios do leste da Ucrânia controlados pelas milícias separatistas pró-Rússia.

"Estas questões devem ser discutidas nos formatos criados para tal efeito. Em primeiro lugar, no grupo de contato de Minsk e na OSCE, onde deve ser tomada a decisão correspondente", afirmou Karasin.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, disse ontem que uma missão policial internacional não está incluída no Protocolo de Minsk e nem será aceita pelos moradores de Donbass.

"Donbass não aceitará (uma missão) jamais. E de acordo com o Protocolo de Minsk, todas as medidas para resolver (o conflito) devem ser consultadas" com as autoridades pró-Rússia, ressaltou Lavrov.

Mais de um ano após a assinatura do documento, Kiev e os separatistas foram incapazes de manter o cessar-fogo apesar das várias tréguas adotadas pelo Grupo de Contato para a Ucrânia.

A Rússia e os rebeldes acusam a Ucrânia de se recusar a implementar a política de acordos: a reforma constitucional, descentralização, anistia, além de conceder o estatuto especial para áreas controladas pelos separatistas.

Enquanto isso, Kiev se recusa a reconhecer a legitimidade das autoridades rebeldes e exige que Moscou retire suas tropas do leste da Ucrânia e entregue o controle de toda a fronteira entre os dois países.

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