Moscou importa areia das Maldivas para abrir "temporada de praia"

Arturo Escarda.

Moscou, 1 jun (EFE).- Tomar sol sobre a fina e branca areia das paradisíacas Maldivas em plena Moscou, a milhares de quilômetros de qualquer praia mais ou menos cálida, é o sonho de muitos moscovitas tornado realidade a margens de uma represa no norte da capital russa.

O Beach Club - complexo situado à meia hora do centro, em um dos poucos bairros da cidade que podem se orgulhar de ter um ambiente relativamente limpo - é uma das 11 áreas de banho que abrirão a partir desta quarta-feira a temporada de praias em Moscou.

Até 1.500 pessoas podem entrar nas duas praias do Beach Club, sempre que possam se permitir pagar entre 1.000 e 4.000 rublos (entre R$ 55 e R$ 220), dependendo de se é dia útil ou final de semana ou se preferem a área VIP, para 500 pessoas, ou a comum, com capacidade para as mil restantes.

Com um pouco de imaginação, é possível esquecer-se que a poucos metros acaba o paraíso e começa uma das cidades mais populosas e poluídas do mundo.

O porto esportivo com luxuosos iates, um glamoroso restaurante que serve coquetéis tropicais, áreas para praticar esportes e até uma pista de dança são uma boa ajuda para a imersão.

A empresa que administra as instalações renova todos os anos a areia que traz das Maldivas.

O inverno é duro e longo na Rússia, com poucas horas de luz e meses de céus cobertos, razão pela qual o curto verão é aproveitado ao máximo pelos russos, que não perdem a oportunidade para deixar seus asfixiantes apartamentos e sair das cidades.

Quando o calor se instala sobre as planícies e estepes russas, apenas entre os meses de junho e a primeira metade de agosto, os moradores das grandes cidades, carregados de mantimentos e bebidas, fogem da capital em busca de destinos mais adequados ao calor.

Em carro ou em trem, escapam das cidades que há menos de um século, inclusive poucas décadas para muitos, eram uma raridade no modo de vida russo, em essência agrícola e rural.

Muitos vão para suas "dachas", como são conhecidas as casas de campo estivais que frequentemente só podem ser aproveitadas no verão por não ter calefação.

Os mais afortunados - cada vez em menor número pelos estragos da grave crise econômica que castiga o país há três anos - podem permitir-se viajar para destinos de sol e praia, no sul da Rússia ou no exterior.

No entanto, o turismo é nestes tempos um privilégio acessível só para a mesma gente que poderia permitir-se a área VIP do Beach Club moscovita, e aqueles que não têm "dacha", nem carro nem vontade de pegar um trem, passam seus finais de semana à sombra dos parques ou ao sol das praias urbanas.

Moscou, conhecida pelo tráfego e pelo trânsito diário de milhões de pessoas, é também de longe a cidade mais rica do país, e mesmo no meio da crise seguiu renovando sem parar suas dezenas de parques e adaptando seus lagos e rios para o banho público.

"Temos tecnologias que nos permitem melhorar a qualidade de água e agora as estamos experimentando", explicou o responsável de Meio Ambiente da prefeitura, ao assegurar que nos próximos anos a cidade terá muitas mais praias que as 11 abertas por enquanto, muito poucas para os 12 milhões de moscovitas.

Os arredores de muitas dessas praias urbanas, e a maioria de outras 45 zonas de expansão sem área de banho pagas em Moscou, estão dotadas de grelhas para assar carne, cadeiras e mesas.

Porque para os russos, da mesma forma que para os demais mortais, não há nada melhor que passar uma tarde em torno de uma mesa ao ar livre, envolvidos por uma mistura de cheiro de natureza e uma boa refeição, na companhia de amigos e familiares.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos