Mulheres vão às ruas de São Paulo e Rio em ato contra "cultura do estupro"

Rio de Janeiro, 1 jun (EFE).- Milhares de brasileiras foram às ruas do Rio de Janeiro, São Paulo e várias cidades do país nesta quarta-feira para exigir o fim das agressões sexuais contra as mulheres e protestar a "cultura do estupro", com a qual se criminaliza as vítimas e se exime os criminosos de culpa.

O maior protesto, que contou com a participação de pelo menos 2 mil manifestantes, ocorreu no centro do Rio, onde, na semana passada, uma jovem de 16 anos teria sido estuprada por 33 homens, que filmaram a agressão e publicaram o vídeo nas redes sociais.

As mulheres cantaram palavras de ordem contra o estupro e levaram cartazes com mensagens como "O machismo mata", "Se trata de violência, não de sexo" e "Quando acordei, havia 30 homens em cima de mim", frase dita pela vítima do mais recente estupro coletivo registrado no país.

"Se cuidem, machistas, a América Latina vai ser toda feminista", cantavam as mulheres durante o percurso da passeata, que percorreu a Avenida Presidente Vargas, uma das principais do centro do Rio.

Uma das participantes da manifestação, Carol Danelli, acusou a imprensa brasileira de ser machista pela representação que faz da mulher, algo que, segundo ela, ficou claro no tratamento dado à vítima nas notícias publicadas sobre o estupro coletivo da jovem.

"Na última semana, as notícias sempre colocaram em xeque a versão da vítima e nunca responsabilizaram o estuprador", disse a manifestante em entrevista à Agência Efe.

Outra jovem, Esperança Fernandes Almeida, afirmou que no Brasil existe uma "normalização do estupro" através da publicidade e das novelas. Além disso, destacou que "sempre a mulher é culpada", ao se questionar as roupas usadas, se ela passou a noite na rua.

Uma manifestação similar ocorreu em São Paulo, onde centenas de mulheres se concentraram perto do vão do Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista. Apresentado com o nome "Por todas elas", o protesto abordou temas como o machismo, a misoginia, o estupro e os direitos das mulheres.

As ativistas levaram cartazes com mensagens como "O corpo é meu", "Estupro, a culpa não é da vítima", "Todas por elas", "Seu machismo mata" e contra a "cultura do estupro" no Brasil.

"Não é uma doença. É um desvio de caráter e é uma cultura que abraça discursos que circulam pela sociedade em conversas que parecem insignificantes, como elogios e censuras à mulher. Não se naturaliza o crime e sim à cultura dele", disse em entrevista à Efe a professora Cristiane Megid.

A jornalista e ativista Camile Engelbrecht afirmou que o Brasil foi construído sob uma sociedade patriarcal na qual é normal "ver e tratar a mulher de forma desigual", como inferior ao homem.

As manifestantes depois se uniram a integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que realizavam um protesto contra o presidente interino, Michel Temer, e ocuparam a sede da Presidência da República em São Paulo, a poucas quadras do MASP.

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