AI denuncia aumento de mortes cometidas pela polícia no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, 2 jun (EFE).- A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) denunciou nesta quinta-feira que o número de civis mortos pela polícia vem crescendo no Rio de Janeiro com a aproximação dos Jogos Olímpicos, em agosto próximo.

Segundo o relatório da organização internacional, apesar do número de homicídios registrados em operações policiais no estado do Rio de Janeiro ter caído de 260 nos quatro primeiros meses de 2015 até 238 entre janeiro e abril de 2016, essa redução só ocorreu nos dois primeiros meses do ano.

Em março e abril, por outro lado, essas estatísticas aumentaram. Os homicídios em operações policiais subiram de 54 em março de 2015 até 60 em março de 2016 e desde 59 em abril do ano passado até 78 no mesmo mês deste ano.

"Os dados mais recentes mostram que não há garantias de que a tendência de redução prossiga nos próximos meses. O mês de abril de 2016 apresentou um aumento significativo em comparação com o do ano anterior, o que gera sérias preocupações sobre o que ocorrerá nos próximos meses", assegura Anistia.

A organização acrescentou que os dados recolhidos por vários grupos de direitos humanos mostram que em abril e maio aconteceu um aumento das operações policiais violentas nas favelas, "nas quais várias pessoas morreram e muitas outras ficaram feridas".

A organização advertiu que essa tendência pode prosseguir porque as autoridades adotaram para os Jogos Olímpicos do Rio a mesma política de segurança que provocou um aumento das violações aos direitos humanos, incluindo as mortes de civis por parte da polícia, na Copa do Mundo de 2014.

"O Rio de Janeiro é historicamente conhecido por suas altas taxas de mortes em operações policiais. Entre 2006 e 2015, cerca de 8 mil pessoas morreram em operações policiais no estado do Rio de Janeiro", advertiu a Anistia Internacional no relatório "A violência não faz parte destes Jogos: risco de violações aos direitos humanos nas Olimpíadas do Rio em 2016".

De acordo com o organismo, apesar das mortes pelas mãos da polícia terem caído desde 1.330 em 2007 até 416 em 2013, saltaram 39,4% em 2014, quando foram registrados 580 casos, e cresceram 11,2% em 2015, com 645 homicídios.

Segundo os dados recolhidos pela organização, o porcentagem de mortes causadas pela Polícia no total de homicídios do estado do Rio de Janeiro passou do 15,8 % em 2011 ao 19,65 % em 2015.

"Uma de cada cinco mortes no Rio de Janeiro o ano passado foi provocada pela Polícia. Esse número poderia ser potencialmente maior considerando que alguns casos de mortes em operações policiais são oficialmente registrados como homicídios genéricos e não como homicídios provocados por operações policiais", diz o relatório.

O temor da Anistia é que os erros das políticas de segurança adotadas no Mundial de 2014 se repitam em 2016, principalmente a repressão violenta às manifestações.

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