Almagro pede convocação de sessão da OEA sobre Carta Democrática à Venezuela

Washington, 2 jun (EFE).- O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, pediu nesta quinta-feira ao Conselho Permanente do organismo que escolha uma data para sessão que decidirá se será aplicada a Carta Democrática à Venezuela, um processo que pode levar à suspensão do país no órgão.

"Hoje, mais do que nunca, peço que seja marcada a data da reunião do Conselho da OEA para abordar a Carta Democrática #Vzla #DemocraciaEnVzlaYA", escreveu Almagro no Twitter.

O titular da OEA também elogiou que os 34 países da organização tenham abordado na quarta-feira "a crise da Venezuela" pela primeira vez desde 2014.

"Elogiamos países por terem abordado pela primeira vez a #CrisisVenezuela desde 2014 no Conselho @OEA_oficial", afirmou hoje Almagro em outra mensagem.

Esta é a primeira reação do secretário-geral após a aprovação na quarta-feira, por consenso, de uma declaração conciliadora que, em termos muito diluídos, apoia o diálogo nacional como solução à crise da Venezuela e respalda a iniciativa em andamento da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e três ex-presidentes para promovê-lo.

Almagro se ausentou dessa sessão para deixar claro que a declaração promovida pela Argentina é distinta do processo da Carta Democrática que foi ativada na terça-feira, um instrumento muito sensível que é invocado pela primeira vez contra a vontade do governo do Estado afetado.

O chefe da OEA pediu a convocação de uma sessão extraordinária entre 10 e 20 de junho para que os Estados se pronunciem sobre se, como ele, consideram que na Venezuela há "uma alteração da ordem constitucional que afeta gravemente a ordem democrática" e, em consequência, votam prosseguir com o processo da carta.

Essa convocação está em mãos do presidente rotativo do Conselho Permanente, o embaixador argentino Juan José Arcuri, que ainda não se pronunciou a respeito, mas que na quarta-feira mostrou um evidente mal-estar com Almagro.

"Alguém disse por aí e acredito que não foi repetido o suficiente, os Estados são os donos do organismo", afirmou Arcuri em mensagem que reflete o sentimento de um bom número de Estados, que consideram que Almagro está atuando por sua conta e passando por cima deles, sobretudo na crise venezuelana.

Outro gesto claro de que "Argentina ataca Almagro", como comentaram os diplomatas nos corredores da OEA, foi que Arcuri negou a palavra ao término da sessão ao chefe de gabinete de Almagro, Gonzalo Koncke, em uma ação que os veteranos do organismo consideram insólita.

A declaração aprovada na quarta-feira surgiu de um texto que a Argentina vinha combinando com mais de 20 países na última semana como via alternativa, e conciliadora, à Carta Democrática.

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