Comício de Donald Trump na Califórnia acaba em violência

Washington, 3 jun (EFE).- Os protestos contra o magnata Donald Trump tornaram-se violentos no fim da quinta-feira com uma batalha aberta em San José (Califórnia), onde o virtual candidato republicano à Casa Branca está dando comícios perto das eleições primárias de terça-feira.

A polícia de San José informou nesta sexta-feira que teve que realizar pelo menos quatro detenções após uma batalha campal no exterior de um comício de Trump em San José, no qual foram lançadas garrafas e ovos contra simpatizantes do possível candidato presidencial.

As imagens gravadas por testemunhas com telefones celulares mostram grupos de pessoas acossando e atacando com socos os seguidores de Trump, dos quais tiraram os bonés com o lema "Make America Great Again" e os queimaram nas ruas.

Também há imagens de uma mulher que foi atacada com ovos e insultada ao sair do comício de Trump em San José, a décima maior cidade dos Estados Unidos e com um terço de população hispânica, segundo os últimos dados do Escritório do Censo.

"Não há lugar para este tipo de violência contra pessoas que simplesmente exercitam seu direito a participar do processo político", garantiu o prefeito de San José, o democrata Sam Liccardo, à emissora local de "NBC"

O prefeito criticou Trump por "promover o antagonismo ao invés de oferecer soluções realistas aos desafios de nosso país".

As imagens sugerem que a violência começou por parte dos manifestantes contra o comício de Trump, algo que até o momento não tinha ocorrido com tanta virulência.

O discurso anti-imigrante de Trump, que baseia sua política migratória na expulsão dos milhões de residentes imigrantes ilegais e na construção de um muro ao longo de toda a fronteira sul com o México, aqueceu os ânimos de alguns opositores.

Antes do começo do comício do magnata, a polícia de San José fechou as ruas divisórias e desdobrou agentes para evitar distúrbios.

"Faremos todos o possível para proteger a Primeira Emenda da Constituição (liberdade de expressão), os presentes, a comunidade e os policiais", garantiu antes da convocação o chefe de Polícia, Eddie García.

No entanto, a situação saiu do controle com o assédio de alguns indivíduos que protestavam contra Trump e que atacaram presentes no evento, que em alguns casos responderam aos ataques e em outros evitaram o confronto.

O Departamento de Polícia de San José desdobrou agentes contra distúrbios para evitar uma escalada de violência, que terminou também com veículos policiais danificados e outros danos materiais.

Responsáveis das campanhas dos pré-candidatos democratas Hillary Clinton e Bernie Sanders não demoraram em condenar a violência contra os simpatizantes de Trump.

O presidente da campanha de Hillary, John Podesta, afirmou em sua conta no Twitter que "a violência contra os simpatizantes de qualquer candidato não tem lugar nestas eleições".

Mike Casca, diretor de campanha do senador Sanders, afirmou que "não podemos deter a violência retórica de Trump com violência. Só com protestos pacíficos em um centro de votação é possível fazer isso".

Já Donald Trump recorreu de novo a sua conta no Twitter para comentar os distúrbios, que atribuiu a "um pequeno grupo de pistoleiros" que "queimaram uma bandeira americana", declarações que mostram uma moderação pouco habitual no magnata transformado em político.

"O comício de ontem à noite em San José foi genial. Muito amor e entusiasmo na sala, uma grande multidão", acrescentou o empresário nova-iorquino.

Trump tinha sido criticado por não condenar e indiretamente justificar a expulsão violenta de alguns manifestantes que boicotaram pacificamente seus eventos de campanha, mas nesta ocasião o nível de violência se transferiu às ruas.

O virtual candidato à presidência realiza hoje um evento de campanha no aeroporto de Redding (Califórnia), uma cidade muito menor e conservadora que San José.

Trump realiza a campanha perto das eleições primárias republicanas da próxima terça-feira na Califórnia, embora há semanas tenha ficado sem rivais na corrida do partido pela indicação presidencial.

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