Coreias trocam acusações em torno da deserção de 3 garçonetes norte-coreanas

Seul, 3 jun (EFE).- Os governos das Coreias do Norte e do Sul trocaram acusações entre si nesta sexta-feira sobre a deserção de três garçonetes norte-coreanas que fugiram para o Sul, algo que o regime de Kim Jong-un tachou de um "sequestro organizado".

A fuga das três garçonetes para a Coreia do Sul, confirmada nesta semana, foi "um sequestro organizado e premeditado por gangsteres do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul", garantiu um porta-voz da Cruz Vermelha norte-coreana em comunicado divulgado pela agência de notícias oficial do regime, a "KCNA".

A organização norte-coreana acusou o governo da Coreia do Sul de "violar os direitos humanos" das três norte-coreanas e ameaçou o país vizinho ao dizer que o mesmo vai pagar "um alto preço" pelo incidente.

Seul respondeu qualificando as acusações norte-coreanas de "argumentos infundados" e ressaltou que as três garçonetes fugiram "por vontade própria" do restaurante em Sanxi, no noroeste da China, segundo indicou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul.

O porta-voz pediu que Pyongyang "refletisse" sobre a situação dos direitos humanos de seus cidadãos, em referência às condições de trabalho dos empregados norte-coreanos no exterior, denunciadas em várias ocasiões por diversas ONGs.

Os dois países já tinham protagonizado um episódio de tensão similar depois que um primeiro grupo de 13 norte-coreanos (12 garçonetes e um encarregado) desertou em abril de um restaurante na China e pediram asilo na Coreia do Sul.

Naquela ocasião, Pyongyang acusou Seul de ter realizado um sequestro, fez várias ameaças e solicitou reuniões entre as garçonetes e seus familiares na Coreia do Norte, uma opção que foi descartada pelo governo sul-coreano.

O regime de Kim Jong-un opera cerca de 130 restaurantes em 12 países, a maioria deles na China, que geram ao regime totalitário aproximadamente US$ 10 milhões anuais, segundo estimativas de Seul.

As deserções em grupo de empregados desses restaurantes são um fenômeno novo, e se atribuem ao aparente prejuízo que tais estabelecimentos estão sofrendo pelo efeito das sanções que a ONU impôs recentemente a Pyongyang por seus testes nucleares e de mísseis.

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