Diálogo na Venezuela deve incluir referendo e presos políticos, diz Almagro

Washington, 3 jun (EFE).- O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, pediu nesta sexta-feira que toda iniciativa de diálogo na Venezuela, inclusive a que já está em andamento com a Unasul e três ex-presidentes, inclua o referendo revogatório e a libertação dos presos políticos.

Em entrevista à Agência Efe em Washington, Almagro considerou que o diálogo promovido pela União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e três ex-presidentes de Espanha, Panamá e República Dominicana "está carente dos elementos que deem substância à possibilidade que as partes tenham confiança mútua".

"Se não liberta os presos políticos, se não põe data no referendo revogatório, você vai sentar para falar o quê? Quais são as bases da confiança para que isso seja feito? Um diálogo (sem esses compromissos) é como consolidar um status quo com presos políticos", argumentou o chefe da OEA.

Almagro, que na semana passada completou um ano no cargo, é uma das vozes internacionais que denunciou com mais contundência "as graves alterações da ordem constitucional" na Venezuela e nesta terça-feira deu um passo histórico ao ativar a Carta Democrática do organismo, que pode levar à suspensão da Venezuela, apesar da oposição frontal de Caracas.

"O diálogo deve ter bases claras e compromissos firmes, é muito difícil acreditar em um diálogo quando se tem uma das partes violando sistematicamente a Constituição, se não respeitam a Constituição que fizeram à sua medida, então que respeito vão ter pelos compromissos que possam surgir de uma mesa de diálogo?, questionou.

O secretário-geral, que por enquanto só tem o apoio explícito do Paraguai no processo da Carta Democrática, está "muito tranquilo" de que sua iniciativa prosperará, porque "quando os países tiverem que tomar as decisões, vão tomar as decisões corretas e vão estar do lado correto da história".

Almagro está à espera que o Conselho Permanente, cuja presidência rotativa está com a Argentina, defina a data aa sessão extraordinária que ele pediu entre os dias 10 e 20 de junho para votar pela aplicação ou não da Carta à Venezuela.

Para os que o criticam por ter dado esse passo, o ex-chanceler uruguaio tem uma mensagem clara.

"Ninguém pode me pedir que eu aceite isso (a situação na Venezuela) em silêncio ou que olhe para outro lado, não há neutralidade moral em tempos de crise. Quando alguém nesses tempos de injustiça escolhe a neutralidade, está escolhendo o lado do opressor para que se siga oprimindo", concluiu.

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