Forças iraquianas continuam com ofensiva em Faluja, mas avanço é lento

Amre Hamid.

Bagdá, 3 jun (EFE).- As forças iraquianas prosseguiram nesta sexta-feira a ofensiva para expulsar o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) da cidade de Faluja, mas as tropas e as milícias governamentais avançam devagar, principalmente devido à presença de milhares de civis que ainda permanecem na cidade.

Uma força conjunta integrada por membros do Exército, da Polícia e da milícia xiita Multidão Popular, com o apoio da aviação governamental, tomaram hoje o controle da cidade de Al Azqriya, 12 quilômetros ao noroeste de Faluja. De acordo com uma fonte de segurança, que preferiu não ter o seu nome revelado, militares e milicianos enfrentaram jihadistas e mataram dezenas deles. O grupo também conseguiu destruir vários de seus veículos.

As forças governamentais seguem avançando pelas partes norte e noroeste de Faluja, para dominar totalmente essa área e acabar com as vias de provisão do EI, que recuou para o interior da cidade.

As tropas iraquianas se concentram neste momento em Al Saqlauiya (ao noroeste de Faluja), que foi liberada nos últimos dias, e onde estão chegando algumas das famílias que conseguem fugir da cidade. A milícia Multidão Popular, que está no local, informou através do Twitter que um terrorista suicida explodiu uma carga no meio dos deslocados e deixou alguns feridos.

Cerca de 70 famílias conseguiram escapar de Faluja nas últimas 24 horas através do Rio Eufrates, que passa pela parte oeste da cidade, segundo a fonte de segurança. Segundo essa pessoa, as forças iraquianas ajudaram os deslocados e os levaram à Ameriyet al-Faluja, 10 quilômetros ao sul da cidade, onde foram feitos acampamentos para abrigar os civis que abandonaram suas casas.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) no Iraque está prestando assistência aos deslocados de Faluja, que chegam "sem nada", conforme a entidade escreveu em sua conta no Twitter. Além disso, Acnur divulgou uma foto de duas meninas - Farah, de 6 anos, e Qamar, de 3 - que fugiram da violência em Faluja e estão refugiadas em um campo de Ameriyet. Segundo a ONU, a maioria dos moradores permanece em Faluja, principalmente no núcleo urbano, onde calcula-se que existam 50 mil pessoas, sendo 20 mil crianças.

Desde 23 de maio, as forças iraquianas foram fechando o cerco em torno da cidade, mas ainda não conseguiram chegar ao centro. A ONU advertiu que o EI está impedindo a saída dos civis e poderia usar essas pessoas como "escudos humanos" para evitar ser atacado e bombardeado.

A coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos aumentou os bombardeios aéreos na região desde o começo das operações militares do Exército iraquiano, mas com precaução para não matar civis.

Hoje, os aviões da coalizão atacaram um centro de comando do EI em Faluja e mataram um importante dirigente da organização radical na cidade, assim como outros líderes que estavam no local do ataque. Além disso, bombardearam o acesso principal à rede de túneis subterrâneos do EI em Albu Yubail.

Segundo o comunicado, a operação da aviação internacional se baseou em informações da inteligência fornecidas pelas autoridades iraquianas, com as quais colabora a coalizão, integrada por mais de 50 países e liderada pelo Exército americano.

O governo do Iraque disse que sua prioridade é salvar a vida dos habitantes de Faluja, mas está decidido a recuperar a cidade, que esteve nas mãos do EI desde o início de 2014. Em junho daquele ano, o grupo extremista declarou um califado nos territórios que conquistou no Iraque e na vizinha Síria.

O principal bastião iraquiano do EI é a cidade de Mossul, localizada no norte do país, em torno da qual as tropas curdas "peshmergas" estão fechando o cerco. Hoje, pelo menos 24 combatentes radicais morreram em ataques e enfrentamentos com as forças curdas nos arredores de Mossul, durante a ofensiva dos peshmergas na região.

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