Governo de Macri divulga extenso diagnóstico sobre "herança kirchnerista"

Buenos Aires, 3 jun (EFE).- O governo da Argentina apresentou nesta sexta-feira "o estado do Estado", um diagnóstico da chamada "herança kirchnerista" e da situação da administração pública no momento da posse de Mauricio Macri como presidente no último dia 10 de dezembro.

"O Estado argentino arrasta problemas há décadas. Aumentou seu tamanho e também seus recursos, mas melhorou menos que o esperado sua capacidade de fornecer bens públicos à cidadania", afirmou o relatório, que está disponível a partir de hoje no site da Casa Rosada.

O balanço da década passada reconheceu "muitas conquistas" dos governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e de Cristina Kirchner (2007-2015), como a ampliação da cobertura social para crianças e idosos, o baixo nível de dívida pública do Tesouro, as políticas de Estado em ciência e tecnologia e "um punhado de programas bem-sucedidos", como os calendários de vacinas.

No entanto, o texto também advertiu que o Estado "estava mal administrado, frequentemente com desídia e desinteresse pelo público".

A auditoria abrange temas de trabalho e seguridade social, energia e mineração, segurança, justiça e defesa, cultura e inovação, comunicações e transporte.

Segundo o documento, a administração pública mostrava em dezembro do ano passado "estruturas organizativas anacrônicas, sem um planejamento estratégico, uma divisão de funções sem uma lógica organizacional nem retribuição adequada".

O relatório enumerou desde irregularidades nas verbas destinadas a municípios até escritórios vazios e arquivos apagados nos diferentes setores do Estado.

"As novas autoridades constataram que todos os documentos em papel sobre as importações tinham sido destruídos (...) Durante os primeiros dias de governo foi preciso administrar de forma manual o comércio internacional do país, até que se implementou um novo sistema", explicou.

O texto também apresentou fatos insólitos: "No que era o Ministério do Planejamento havia escritórios com um só telefone e dez telefonistas. Na Chefia de Gabinete, dez pessoas com a função de fotocopiador e uma só fotocopiadora".

Entre as irregularidades, o texto mencionou que "boa parte das agências do Estado deixaram de pagar seus provedores, beneficiados e terceirizados em algum momento" de 2015.

"A dívida acumulada no momento da mudança de governo era de 7 bilhões de pesos (cerca de R$ 1,74 bilhão)", acrescentou o relatório.

A realização do diagnóstico do Estado argentino em 10 de dezembro do ano passado foi uma das promessas feitas por Macri em seu discurso do último dia 1º de março, quando inaugurou o período ordinário de sessões no Congresso.

"A distração do Estado argentino", segundo o Executivo, também "se evidencia na maneira como se destratou e se desenhou" a política de turismo.

"Mal planificado, sem gerar produtos atrativos para eles e com uma relação cambial pouco conveniente, se perderam 300.000 turistas brasileiros por ano durante os últimos anos. Também não se desenharam estratégias para captar o emergente turismo chinês", lamentou o balanço.

Outro dos dados assinalados na auditoria estabeleceu que 40% das estradas "estavam em péssimo estado", apesar de o orçamento "ter sido multiplicado por dez".

"Algo parecido ocorreu com as ferrovias. Após décadas de abandono e falta de investimento, o setor ferroviário foi perdendo competitividade e emprego", acrescentou.

Em relação à estatal Aerolíneas Argentinas, a nova gestão assumiu com dívidas a provedores no valor de mais de 10 bilhões de pesos (R$ 2,5 bilhões) e quatro aviões parados.

Três deles, especificou o relatório, estavam "desprezados no deserto" americano, onde pagavam US$ 400.000 anuais cada um.

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