Milhares de pessoas marcham em Montevidéu contra violência de gênero

Montevidéu, 3 jun (EFE).- Cerca de cinco mil pessoas marcharam nesta terça-feira pelo centro de Montevidéu sob o lema "Ni una menos" ("Nem uma a menos") para protestar contra a violência contra as mulheres no marco de uma convocação realizada em vários pontos do país, onde, desde o começo de ano, 12 mulheres foram assassinadas por seus parceiros.

"Um dos objetivos é irromper no espaço público através das exigências por um 'basta' à violência machista e um compromisso dos participantes para revisar aquelas práticas cotidianas que reproduzem ou sustentam as lógicas da violência machista", disse à Agência Efe Maru Casanova, uma das porta-vozes da Coordenadoria de Feminismos do Uruguai, organizadora da passeata.

Segundo relatório de avaliação da igualdade de gênero no país vizinho entre 2006 e 2014 - no qual participou o Fundo de População da ONU (UNFPA) e que foi apresentado em setembro do ano passado em Montevidéu -, 68,8% das mulheres uruguaias maiores de 15 anos afirma ter sofrido violência machista em algum momento de sua vida.

"Os casos mais visíveis, os feminícidios, são a ponta de um iceberg das múltiplas violências machistas às quais somos expostas pelo simples fato de ser melhor", ressaltou Casanova.

"Vivemos em uma sociedade totalmente machista, onde ainda existe o domínio do homem sobre a mulher", afirmou por sua parte Jenny Escobar, presidente da plataforma Mulheres de Preto, uma das plataformas sociais pela igualdade de gênero com mais peso no país.

Uma das medidas impulsionadas pelo Executivo uruguaio para tentar atenuar essa situação foi um projeto de lei proposto ao parlamento em dezembro de 2015 que tenta modificar o Código Penal para incorporar o feminícidio como "agravante muito especial do homicídio".

Perguntada sobre o projeto de lei, Escobar afirmou que a organização social que preside avalia positivamente a proposta, mas acrescentou que advoga para que seja aprovado "o mais rápido possível" e como foi apresentado ao parlamento.

Além da violência machista, na marcha de hoje, na qual participaram múltiplas organizações sociais em defesa dos direitos das mulheres e em prol da igualdade de gênero, também se protestava pela falta de igualdade entre homens e mulheres em campos, como por exemplo, o profissional.

Nesse sentido, o relatório citado anteriormente afirma que no Uruguai existe uma lacuna salarial de cerca de 30% entre ambos sexos quando se desempenha um mesma tarefa.

Antes da passeata de hoje, houve um apresentação cênica na qual várias mulheres jaziam no solo com sua silhueta pintada sobre o asfalto para denunciar os casos de mulheres assassinadas por motivos machistas.

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