Paris acompanha com temor pior aumento do nível do Sena em três décadas

Enrique Rubio

Paris, 3 jun (EFE).- Inevitavelmente, o nível de água do rio Sena aumenta a cada hora poucos centímetros em sua passagem por Paris, cidade que observa isso com temor e um sentimento de impotência perante as águas que ameaçam penentrar em casas, empresas e alguns dos monumentos mais visitados do mundo.

O pico de aumento do nível do rio, dizem as autoridades, deve ser alcançando na noite desta sexta-feira, chegando aos 6,5 metros, um nível que não era visto na Cidade da Luz pelo menos desde 1982.

O alerta em Paris continua sendo laranja, ou seja, um degrau abaixo do vermelho, que deve ser decretado se o nível do rio superar os sete metros e que implicaria, de fato, na existência de um perigo real para as pessoas e os bens.

A comoção perante as imagens dos icônicos "bateaux mouches" inundados pela água e das estátuas do Louvre resgatadas pelos funcionários do museu parecem fazer esquecer que na França já foram evacuadas pelo menos 20 mil pessoas em outras localidades vizinhas e que pelo menos duas pessoas morreram.

Na capital, segundo informou a Prefeitura, não há por enquanto prevista nenhuma evacuação e nem são vislumbradas dificuldades no fornecimento elétrico e de gás.

Esse não é o caso em pequenos municípios ao sul de Paris, como Villeneuve Saint Georges, onde vive Tania Pereira, funcionária de uma companhia de limpeza que não queria sair de sua casa hoje por temor de não poder retornar a ela quando acabasse a jornada de trabalho.

"Para poder sair hoje, tive que pular sobre a água, mas não sei se poderei voltar a fazer isso, e além disso com minha filha. Na rua ao lado já foram evacuados todos os moradores e levados para um ginásio", explicou à Agência Efe Pereira.

Esta mulher de Cabo Verde relatou como a eletricidade não chega a sua casa desde ontem, e ignora quando poderá recuperar o fornecimento.

Nesse mesmo instante, os prognósticos eram ameaçadores em Paris, mas despertavam mais curiosidade do que inquietação entre os vários turistas que se amontoavam nas pontes sobre o Sena para presenciar em primeira pessoa um momento histórico.

As autoridades tratam de tranquilizar a população com uma linguagem muito precavida e sempre lembrando que "neste momento" não há risco sobre a população da capital, embora as previsões não sejam de uma ciência exata.

Além da suspensão de uma linha de treme de duas estações de metrô, do fechamento das vias de circulação junto ao rio e de museus como o Louvre, o de Orsay e o Grand Palais -que o seguirão fechados até terça-feira-, o certo é que Paris continua com normalidade sua vida cotidiana.

A ministra de Ecologia e Meio Ambiente, Ségolène Royal, advertiu em qualquer caso que o nível do Sena não começará a baixar até o final desta semana.

Royal afirmou que ao longo desta noite as águas se estabilizarão- a uma altura de entre 6,10 e 6,40 metros, ainda longe dos aumentos de níveis que há pouco mais de um século, em 1910, causaram as piores inundações em Paris.

Com a passagem das horas, os meteorologistas anunciam que as precipitações irão se deslocando para o noroeste da França, o que pode levar a ameaça para cidades como a histórica Ruan ou aa povo de Giverny, onde está localizada a casa-museu do pintor Monet, que já fechou suas portas.

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