Ex-presidentes lideram protesto em Varsóvia contra governo polonês

Nacho Temiño.

Varsóvia, 4 jun (EFE).- Dois ex-presidentes da Polônia lideraram neste sábado em Varsóvia uma nova manifestação contra as políticas do governo do partido nacionalista Lei e Justiça, um protesto que coincide com o 27º aniversário das primeiras eleições parcialmente livres que aceleraram a queda do comunismo.

Milhares de cidadãos participaram desta marcha que, como as dos últimos meses, foi organizada pelo movimento cívico Comitê para a Defesa da Democracia (KOD, na sigla em polonês), uma organização que se opõe ao Lei e Justiça, partido que governa a Polônia desde sua vitória por maioria absoluta nas eleições de outubro de 2015.

Na linha de frente da passeata estavam os ex-presidentes Aleksander Kwasniewski e Bronislaw Komorowski (liberal de centro-direita o primeiro e ex-comunista o segundo), que com sua presença quiseram lembrar os poloneses da importância de zelar por sua democracia, uma democracia jovem que conquistaram após a queda do regime comunista e as decisivas eleições de 4 de junho de 1989.

O KOD considera que a democracia, a liberdade e o Estado de direito estão ameaçados pelas políticas de governo do Lei e Justiça.

O certo é que essas políticas e as reformas impulsionadas pelo Executivo polonês, sobretudo a do Tribunal Constitucional, abalaram as relações da Polônia com a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, além de ter gerado críticas internas de parte da sociedade polonesa.

A Comissão Europeia deu na quarta-feira passada mais um passo no processo comunitário aberto contra a Polônia no último dia 13 de janeiro pelas dúvidas geradas por sua reforma do Tribunal Constitucional com relação ao Estado de direito, e deu ao governo polonês um prazo de duas semanas para tentar encontrar uma solução à paralisia na Corte.

Caso contrário, a Comissão poderá emitir uma recomendação negativa e seguir avançando neste processo contra o país centro-europeu, que em última instância pode levar à suspensão do voto do Estado-membro no Conselho da UE.

Durante a passeata, o líder do KOD, Mateusz Kijowski, denunciou que, ao contrário de 1989, "a Polônia é hoje um país dividido, onde se rompeu o diálogo, onde já não se pode falar com os que têm como único propósito privar-nos da liberdade e a tomada do poder absoluto".

O protesto de hoje não aconteceu apenas em Varsóvia, mas também foram organizados atos contra o governo em outras 20 cidades polonesas e em várias estrangeiras, entre elas Berlim, Londres e Paris.

Apesar destas marchas, quase 40% dos poloneses apoia o Lei e Justiça, que se mantém como primeira força apesar de suas polêmicas reformas e das pressões da Comissão Europeia para que desbloqueie o Tribunal Constitucional, segundo uma pesquisa publicada em 23 de maio.

A pesquisa, elaborada pelo instituto TNS, indicou ainda que o apoio ao Lei e Justiça tinha aumentado em cinco pontos em relação à pesquisa de abril.

Este partido foi o primeiro que conseguiu ganhar eleições por maioria absoluta na história moderna da Polônia, que se soma à vitória nas presidenciais de 2014 de seu candidato, o atual presidente do país, Andrzej Duda.

Enquanto nas ruas polonesas a oposição encenava sua rejeição ao Lei e Justiça, o líder desta legenda, Jaroslaw Kaczynski, pronunciava um discurso no qual insistiu que suas políticas estão melhorando a vida dos poloneses e lembrou que a Polônia é "uma nação soberana".

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