Peruanos vão às urnas amanhã decidir se querem volta do fujimorismo

Carmen Jiménez.

Lima, 4 jun (EFE).- Os candidatos Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski disputam neste domingo a presidência do Peru em uma eleição acirrada, na qual os peruanos estão divididos sobre a volta do fujimorismo ao poder.

Kuczynski, de 77 anos e ex-ministro de Economia no governo de Alejandro Toledo, conseguiu nos últimos dias diminuir a vantagem que as pesquisas davam a Keiko Fujimori, de 41 anos, que por lei não podem ser divulgadas no Peru desde o domingo passado.

Ambos candidatos, que são considerados "amigáveis" pelos mercados - razão pela qual a campanha para o segundo turno não teve impacto em maio na Bolsa de Valores de Lima -, mantêm um empate técnico, segundo as últimas simulações de voto das empresas Gfk, Datum e TPI.

Em sua segunda tentativa de chegar à presidência, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori - atualmente na prisão -, despontou como vencedora nas pesquisas divulgadas durante a campanha, mas nos últimos dias ganhou força o antifujimorismo que já lhe custou o triunfo no pleito de 2011 contra o atual presidente Ollanta Humala.

Em mensagem ontem, antes do início da jornada de reflexão de hoje, Kuczynski, do partido Peruanos Pelo Kambio, fez um apelo para que os peruanos defendam a democracia com os votos.

"Fechemos a passagem ao retorno da ditadura, da corrupção e da mentira", disse Kuczynski, também conhecido pela sigla PPK, em seu perfil no Facebook.

Por sua parte, Fujimori, candidata do partido Força Popular que ganhou as eleições do mês de abril com 39,85% dos votos, negou ontem em uma entrevista à emissora "RPP" que a democracia esteja em risco.

"Quero rejeitar as declarações de meu rival, já que não só ofendem a minha equipe política, mas também as pessoas que nos respaldam. Tudo isto é parte da guerra suja. A democracia não está em risco, a democracia está sólida", destacou.

Nos últimos dias, a candidatura de Fujimori foi abalada por uma denúncia que vincula o ex-secretário do Força Popular e um de seus principais financistas, Joaquín Ramírez, com uma investigação por lavagem de ativos do Departamento Antidrogas dos Estados Unidos (DEA).

O caso também envolveu o candidato a vice-presidente de Fujimori e ex-ministro de Agricultura de Alberto Fujimori, José Chlimper, depois que este reconheceu que entregou uma gravação a um programa de televisão que divulgou um áudio manipulado para desacreditar a denúncia contra Ramírez.

Contra a candidatura de Keiko Fujimori pelas denúncias de corrupção em seu entorno e os crimes ocorridos no governo de seu pai marcharam na terça-feira, em Lima, milhares de pessoas, integrantes de organizações civis, estudantis e sindicatos.

A passeata também contou com a presença dos ex-candidatos presidenciais Verónika Mendoza, do esquerdista Frente Ampla, que obteve 20 cadeiras no pleito de abril, o que lhe transforma na segunda força no parlamento; e Julio Guzmán, que pediram um "voto crítico" a favor de Kuczynski para fechar o caminho do fujimorismo, que terá a maioria no parlamento com 73 deputados de um total de 130.

Na opinião de vários analistas políticos consultados pela Agência Efe, o apoio de Mendoza pode ser fundamental para que Kuczynski consiga captar os votos dos ainda indecisos no sul do país, onde a Frente Ampla conseguiu seus melhores resultados no pleito de abril.

A decisão final será tomada amanhã pelos cerca de 23 milhões de peruanos que estão convocados às urnas para escolher o sucessor de Ollanta Humala, para o período 2016-2021, em um país onde o voto é obrigatório e a abstenção é penalizada com uma multa.

Um total de 884.924 peruanos residentes no exterior, que representam 3,86% do eleitorado, também pode participar das eleições.

As mesas de votação abrirão neste domingo às 8h (horário local, 10 de Brasília) e fecharão às 16h (18h), com os primeiros resultados oficiais, com cerca de 30% dos votos apurados, sendo divulgados a partir de 21h (23h), segundo informou o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

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