Turquia ameaça deixar de ser "barreira" para problemas da Europa

Ancara, 4 jun (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou duramente neste sábado a Alemanha e toda a União Europeia (UE) pelo reconhecimento do genocídio armênio e ameaçou deixar de ser uma "barreira" para os problemas da Europa, em referência ao acordo para aceitar o envio de refugiados.

"Faço um chamado à Alemanha e a toda Europa. Ou resolvemos os problemas em nossa agenda de forma justa ou a Turquia não será uma barreira frente a vossos problemas e lhes deixará sozinhas com eles", advertiu o político islamita em discurso transmitido pela televisão.

A Turquia está reagindo muito duramente à aprovação na quinta-feira pelo parlamento alemão de uma resolução que classifica de genocídio o massacre de centenas de milhares de armênios por parte do império otomano em 1915.

"Estamos fartos que ponham mais dificuldades sobre nossos ombros. Ou resolvemos os problemas ou seguiremos nosso próprio caminho", disse o chefe do Estado durante um discurso em um fórum econômico em Istambul.

Erdogan afirmou que seu país não quer "dar as costas à Europa" e que há cinco milhões de cidadãos de origem turca na UE.

"Apenas queremos um tratamento justo", reivindicou o dirigente conservador.

Erdogan disse que a resolução do parlamento alemão sobre o genocídio não tem nada a ver com proteger os armênios e que é apenas um "abuso".

O presidente ressaltou que dos 100.000 armênios que vivem agora na Turquia só metade tem nacionalidade turca.

"Se tivéssemos essa sensibilidade (antiarmênia) por que deveríamos ter armênios que não são nossos cidadãos?", questionou.

"Neste momento, a Europa recebe os refugiados que estão em suas portas? Vemos o que estão fazendo. Mas a Turquia acolhe três milhões de refugiados. Essa é a diferença entre nós", declarou Erdogan.

O presidente destacou que seu país, que reconhece que houve massacres de armênios, nunca admitirá que aquilo se tratou de um genocídio e argumentou que no contexto da I Guerra Mundial, quando o país "estava rodeado" (de inimigos), foi necessário tomar "algumas medidas".

"Não há nada em nosso passado para se envergonhar. Mas todos esses países que nos culpam do genocídio armênio têm o sangue de milhões de pessoas em suas mãos", denunciou.

Por fim, Erdogan argumentou que a Alemanha é o último país que deve fazer acusações sobre genocídio e que primeiro deveria "redefinir o Holocausto".

Em sua resolução, o parlamento alemão reconhece também a responsabilidade da Alemanha, como aliado do império otomano na I Guerra Mundial, no genocídio armênio.

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