Governo de Renzi se submete a teste em eleições municipais da Itália

Roma, 5 jun (EFE).- A Itália vive neste domingo uma jornada eleitoral para renovar as prefeituras de importantes cidades como Roma e Milão, em pleitos que são encarados como um teste para o governo de Matteo Renzi, apesar de o próprio rejeitar tal consideração.

Cerca de 13 milhões de italianos estão convocados às urnas hoje para renovar as administrações locais de 1.342 municípios, entre eles 25 capitais de província e sete capitais de região: Roma, Milão, Bolonha, Nápoles, Cagliari, Triste e Turim.

As urnas permanecerão abertas até 23h (horário local, 18h de Brasília), quando começará a apuração, e está previsto um segundo turno para 19 de junho nas cidades de mais de 15.000 habitantes nas quais nenhum partido alcançar 50% dos votos.

Estas eleições são encaradas como um exame ao grau de aprovação de que goza o Executivo de Matteo Renzi, que governa sem ter se apresentado às eleições, do mesmo modo que fizeram seus antecessores no cargo, Mario Monti e Enrico Letta.

Renzi assinalou em várias ocasiões que este pleito não é em nenhum caso um plebiscito sobre seu gabinete, apesar de seus oponentes políticos e os analistas, na ausência de eleições gerais, se empenharem em defender o contrário.

Talvez a batalha mais importante seja travada na capital do país, Roma, uma prefeitura sob intervenção desde novembro do ano passado devido a suas incontáveis polêmicas, infiltrações mafiosas, sua tempestuosa gestão e a uma ruinosa situação financeira.

É precisamente em Roma onde se reflete a fragmentada situação política que vive o país, ao contar com cinco candidaturas, mais que nas demais cidades, por conta principalmente das divisões internas na esquerda e na direita.

Perante esta situação, a grande favorita em todas as pesquisas é a candidata do Movimento Cinco Estrelas (M5S), Virgínia Raggi, que, se confirmar as previsões, daria ao partido populista fundado por Beppe Grillo sua primeira capital de calibre.

No lado da centro-esquerda, Renzi apoiou em Roma o candidato de sua legenda, o Partido Democrata (PD), Roberto Giachetti, que venceu discutidas primárias e que tem como oponente, entre outros, um antigo correligionário: Stefano Fassina.

Fassina, vice-ministro de Economia no governo de Letta, se apresenta às eleições em Roma como rosto visível de uma lista de esquerda após abandonar o PD por suas divergências com o primeiro-ministro, embora tenha poucas possibilidades de êxito.

Por outro lado, na direita, os conservadores italianos deverão optar em Roma por uma das duas listas que concorrem: a do milionário Alfio Marchini, aposta de Silvio Berlusconi, ou a de Giorgia Meloni, líder do ultradireitista Irmãos da Itália e grávida de vários meses.

Estas duas listas refletem as frustradas negociações dos últimos meses nos quais Berlusconi, Meloni e seu principal apoiador, Matteo Salvini, líder do xenófobo Liga Norte, tentaram em vão conseguir um acordo para concorrer juntos.

A gritaria na direita italiana tem a ver com a rivalidade que confronta Salvini, cuja popularidade parece em alta, e Berlusconi, que tenta se manter na primeira linha política e para quem estas eleições são essenciais, segundo os analistas.

A imprensa especializada criticou de todos os candidatos seu nímio discurso político, centrado em assinalar problemas e evitar soluções para uma cidade com impedimentos em todas suas frentes e que, mesmo assim, espera organizar Jogos Olímpicos em 2024.

No resto das grandes cidades italianas, a situação é mais homogênea, com candidaturas unidas, como é o caso de Milão, onde concorrem Giuseppe Sala, apoiado por Renzi, e Stefano Parisi, porta-bandeira de uma direita que neste caso aparece compacta.

Em Nápoles, o prefeito em fim de mandato, Luigi di Magistris, acompanhado por uma lista de esquerda sem o PD, tenta a reeleição e parte como favorito, da mesma forma que o prefeito da industrial Turim, Piero Fassino.

Além disso, sobre estas eleições municipais paira a sombra da baixa participação que, no meio da jornada, se situava em 17,99% do total dos convocados, segundo os dados divulgados pelo Ministério do Interior.

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