Milhares de israelenses promovem marcha nacionalista no "Dia de Jerusalém"

María Sevillano.

Jerusalém, 5 jun (EFE).- Milhares de jovens israelenses, quase todos de movimentos ultranacionalistas, participaram neste domingo do chamado Baile das Bandeiras, uma marcha onde Israel reivindica a "unificação" de Jerusalém e frequentemente gera uma nova fonte de tensão com a população palestina.

A marcha é realizada há décadas, mas nos últimos anos vem ganhando cada vez mais um fervor nacionalista. Ela atravessa a cidade com o intuito de reforçar a mensagem política de que Jerusalém é a capital "eterna e indivisível" de Israel, um status não reconhecido nem pelos palestinos e nem pela comunidade internacional.

O evento é apontado como o principal do Dia de Jerusalém, quando os israelenses comemoram a unificação da cidade na Guerra dos Seis Dias de 1967 e os palestinos celebram o momento em que começou a ocupação dessa parte da região que reivindicam como capital de seu futuro estado, e que Israel anexou unilateralmente em 1981.

"Este é um dos momentos mais emocionantes e alegres do calendário judaico", disse à Agência Efe Daniel Luria, diretor-executivo da Ateret Cohanim, organização que visa aumentar a presença de colonos judeus em Jerusalém Oriental.

Milhares de pessoas seguiram para o Muro das Lamentações, onde terminou a celebração marcada por uma onda de bandeiras e gritos de exaltação do Estado de Israel, Jerusalém e ao povo judeu.

A Suprema Corte do país ordenou que a polícia fechasse a entrada histórica para a passagem dos participantes no período da tarde, com a marcha terminando seu percurso na rua principal do bairro muçulmano.

Essa decisão foi tomada para evitar um conflito com a população palestina local onde muitos seguem para rezar na mesquita de Al-Aqsa, no início do Ramadã.

Para evitar cenas como as que aconteceram em anos anteriores, onde extremistas judeus gritavam "morte aos árabes" ou "morte a Maomé", os juízes do Supremo também ordenaram "tolerância zero" contra qualquer insulto racial ou agressão física.

Para os 330 mil palestinos da região, entre eles os que vivem na Cidade Antiga, o dia é visto como uma "demonstração de força" para interromper seus afazeres e até mesmo forçar a fechar seus respectivos negócios.

No entanto, o palestino Khaled afirmou à Agência Efe não ter medo e que não fecharia sua floricultura, embora tenha classificado a data como "um dia ruim para os palestinos".

"Tentam unificar a cidade o tempo todo, mas a verdade é que existe a separação. Há colonos e soldados que atravessam a Cidade Antiga diariamente. Aqui é uma ocupação que continua e israelenses ainda nos causam muitas dificuldades", comentou.

Com a marcha e a cerimônia oficial que contou com a presença de líderes políticos e militares do país, Israel iniciou as comemorações do 50º aniversário da sua vitória na Guerra dos Seis Dias, o que para os palestinos marcou o início da ocupação.

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