Onda de violência islamita faz mais 2 vítimas em Bangladesh

Daca, 5 jun (EFE).- A esposa de um policial que lidera a luta antiterrorista e um comerciante cristão foram assassinados neste domingo em diferentes pontos de Bangladesh no meio de uma onda de ataques islamitas que vem atingindo o país nos últimos dois anos.

O primeiro dos ataques aconteceu na cidade portuária de Chittagong, e a vítima foi identificada como Mahmuda Khanam, de 32 anos, esposa do oficial de polícia.

Em uma ação incomum, pois as mulheres não costumam ser alvos de assassinatos por grupos islâmicos em Bangladesh, Mahmuda foi esfaqueada e baleada por três agressores que estavam numa motocicleta no momento em que seguia com seu filho para entrar num ônibus, segundo informações de fontes policiais citadas pela mídia local.

A vítima era esposa de Babul Akhter, recentemente promovido a superintendente da polícia no quartel-general de Daca.

Em declarações à imprensa local, o ministro do Interior de Bangladesh, Asaduzzaman Khan Kamal, atribuiu o atentado a rebeldes que são contra o "papel ativo" de Akhter na luta contra o terrorismo.

Akhter está envolvido em operações contra Jamaatul Mujahideen Bangladesh (JMB), organização extremista local que na década passada protagonizou diversos atentados e que vem sendo apontada pela polícia como responsável por parte da recente onda de ataques islamitas contra membros de minorias religiosas.

Poucas horas depois da morte de Mahmuda foi assassinado no distrito de Natore um comerciante cristão. Sunil Gomes, de aproximadamente 60 anos, foi atacado nas imediações de seu estabelecimento na área de Baraigram, disse à Agência Efe o superintendente adjunto da polícia local, Mumshi Shahabuddin.

"A vítima recebeu vários cortes (na cabeça) de arma branca, como um facão. Estamos investigando o que ocorreu, falando com a família, para conhecer a motivo do assassinato", afirmou a fonte.

A ação foi reivindicada pouco depois pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), segundo informou, através do Twitter a consultoria americana especializada em jihadismo SITE Intelligence Group.

Segundo a nota, o EI também reivindicou o assassinato de um idoso monge budista no sudeste do país ocorrido no mês passado.

Desde o mês de abril, além das vítimas mencionadas acima, foram assassinados em diferentes pontos de Bangladesh um ativista laico, um professor acusado de ser ateu, dois ativistas gays, dois comerciantes hindus, um líder espiritual sufista e um médico homeopata acusado de promover o cristianismo.

Alguns dos ataques foram reivindicados por EI e outros pelo braço da Al Qaeda no subcontinente indiano.

Nos últimos três anos, mais de 30 pessoas morreram nestes ataques, praticados geralmente com facões e por vários agressores, sem que tenha ocorrido grandes detenções.

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