Cairo recebe Ramadã para reforçar valores religiosos e familiares

Mohammed Siali.

Cairo, 6 jun (EFE).- O Cairo iniciou nesta segunda-feira, em um ritmo tranquilo, o mês sagrado muçulmano do Ramadã, com suas ruas quase vazias, as cafeterias fechadas e os egípcios carregados de esperança para redescobrir os valores de sua religião e reforçar os laços familiares, apesar das dificuldades econômicas.

As ruas cairotas, conhecidas por seus intermináveis engarrafamentos, apresentaram hoje um aspecto quase desértico e eram poucos os pedestres que transitavam por elas, exceto alguns que se aproximavam dos mercados ou das mesquitas sob um sol ardente e uma temperatura de 37 graus.

Além disso, as portas da maior parte das lojas e das cafeterias estão fechadas, enquanto alguns restaurantes, por exemplo, aproveitam o mês do jejum para realizar obras.

Entre os locais que estão abertos se destacam as lojas que vendem os "fanús", uma lâmpada tradicional que os egípcios costumam pendurar em suas casas e suas ruas, em um dos rituais mais famosos no Egito durante o mês do Ramadã.

Abdullah al Shadeli, vendedor dessas lâmpadas, declarou à Agência Efe que seus clientes começaram a comprar os "fanús" há três meses como preparação para o mês do jejum.

"É um símbolo egípcio, para os egípcios se trata de algo muito importante", afirmou Al Shadeli, que também se queixou que na noite anterior não dormiu porque teve que esperar o "zuhur", a última refeição que os muçulmanos podem fazer até o anoitecer durante este período sagrado.

No bairro islâmico antigo de Khan al Jalili, a frequência de pessoas é mais intensa, já que ali está a histórica mesquita de Al Hussein, muito procurada pelos fiéis, sobretudo durante o mês do jejum.

Para os muçulmanos, incluindo os egípcios, o Ramadã é um período de descoberta da religião. Muitos deles rezam mais, leem o Corão e abandonam os hábitos proibidos pelo islã como o consumo do álcool.

Além disso, passam mais tempo com seus familiares durante a quebra do jejum ao pôr do sol, saindo com eles para passear ou rezar a oração voluntária do "Tarauih" na mesquita e compartilhando o "zuhur" no final da noite.

"Nosso costume é unir-nos no primeiro dia do Ramadã em família, na mesma casa, para romper o jejum", disse à Efe Ibrahim Abdeltauab, um comerciante de 41 anos de idade no bairro de Khan al Jalili.

Por outra parte, em diferentes bairros foram instaladas várias tendas de campanha financiadas por voluntários, que oferecem comida a pessoas pobres ou que trabalham longe de casa para romper o jejum.

Em Khan al Jalili, o comerciante Abdeltauab, que vende seus produtos aos turistas, ressaltou que o mês do jejum é celebrado este ano em meio a dificuldades econômicas, sobretudo por culpa "do monopólio dos produtos básicos e do colapso do preço da libra egípcia perante o dólar".

Outro fator que influenciou negativamente na economia egípcia é a considerável grande queda do turismo, devido à instabilidade que assola o país.

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