Califórnia vota nas primárias com atenção voltada para as presidenciais

Antonio Martín e David Villafranca.

Los Angeles (EUA), 7 jun (EFE).- Republicanos e democratas realizam suas primárias nesta terça-feira na Califórnia, mas nos arredores das urnas não se falou hoje tanto dos resultados destas votações como das eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos.

Com o polêmico magnata Donald Trump e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton como virtuais candidatos de republicanos e democratas, respectivamente, as primárias da Califórnia, o estado mais populoso do país, são a tábua de salvação à qual se agarra o senador por Vermont, Bernie Sanders, para prolongar sua campanha até a Convenção Nacional Democrata de julho.

No colégio eleitoral da rua Stanley, em Los Angeles (Califórnia), o dia transcorria com absoluta normalidade apesar de os sinais de estacionamento impedirem os eleitores de deixar seus carros nessa via.

O pouco movimento era gerado por várias pessoas com camisetas de apoio a Bernie Sanders com a mensagem "Not for sale! Bernie for president" ("Não está à venda! Bernie para presidente") e um grupo de veteranos com bonés de "Make America Great Again" ("Faça os EUA grande de novo"), o slogan de campanha de Trump.

Dawn, uma britânica nacionalizada de 45 anos que apoia Trump, explicava à Agência Efe em quem tinha votado quando uma mulher se aproximou com gesto de assombro ao escutar suas palavras.

"Você deveria ter vergonha! Não é daqui, verdade? Votar é um privilégio. E você retribui assim. Que vergonha", disse a mulher a Dawn enquanto se afastava.

Ligeiramente agitada pelo ocorrido, a britânica afirmou que estava registrada como republicana e que não teve tempo de mudar seu registro de partido.

"Teria votado em Bernie, mas votei em Trump, principalmente pelos impostos. Estamos pagando demais. É uma barbaridade. Trump terá claras chances de ganhar se calar a boca. Sua atitude contra o juiz do caso de sua universidade não é adequada. Deve centrar seu discurso na criação de emprego. Os últimos números foram terríveis", opinou.

O magnata, que insultou os imigrantes mexicanos repetidas vezes, acusa o juiz Gonzalo Curiel de "hostilidade" por ser de origem mexicana, no caso de suposta fraude da Universidade Trump.

Por sua vez, Rachel, uma jovem executiva de 30 anos, disse que votou em Sanders porque acredita em sua "honestidade".

"Ele se classifica como socialista e se conseguir se tornar presidente, o Congresso lhe impedirá de levar adiante grande parte de sua agenda. Mas acredito que as coisas que vai poder fazer valem a pena e têm meu voto", ponderou.

"A ideia de que Trump possa ser presidente é aterrorizadora. Se finalmente a disputa for entre Hillary e Trump, ela terá meu voto. Isso é 100% certo", completou.

Já Bretannia, uma mulher de 50 anos vestida com roupa de ginástica, contou que seu voto foi para Hillary por ser "a melhor qualificada".

"Sabe o que o posto requer. Tem experiência, sabe o que faz e sabe o que enfrentará. Gosto de Bernie, mas acredito que é um sonhador. Um idealista. Não vai poder fazer o que promete. Em qualquer caso, qualquer opção que não seja Trump. Ele é uma piada", comentou.

Muito perto do estádio de beisebol do Los Angeles Dodgers, o Hospital Barlow acolheu as urnas para os moradores de Echo Park, um bairro de população jovem, boêmia e, a priori, partidária em sua maioria das ideias democratas.

"O que Bernie diz é o que eu sinto. É o primeiro candidato nos Estados Unidos que realmente se pôs de pé pelo que eu acredito", disse Caitlyn, uma artista da área audiovisual de 50 anos.

Caitlyn acrescentou que Sanders não é um "político normal", enquanto Hillary tem "mais apoio das corporações", embora tenha admitido depois que ter uma mulher como presidente seria "excelente".

Estudante e filho de salvadorenhos, Walter disse que tem "fé" em Sanders porque "fala por todos os grupos étnicos".

E, embora tenha considerado que Trump é "puro lixo", não garantiu que, se Sanders ficar fora da disputa, vai votar em Hillary nas presidenciais porque é "controversa demais".

Também de origem latino é Barbarita, que ressaltou que em seu voto para Hillary influenciou os fatos de que "é mulher", que "ajuda os imigrantes" e "que está há 25 anos na política".

Esta cidadã de origem cubana aposta em uma vitória da ex-secretária de Estado dos EUA contra Trump, a quem definiu como "muito abusivo" e "racista".

Vestido com um terno, Scott, um arquiteto de meia idade, defendeu que Hillary é a melhor candidata para competir com Trump.

"Acho que está qualificada para ser presidente. E não é malvada como Trump (...). Gosto de Sanders. Quem dera isto fosse como a Suécia e os Estados Unidos se transformassem em um paraíso socialista, mas não acredito que é algo que ele possa conseguir", concluiu.

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