Maduro faz 3 propostas para agenda de diálogo com a oposição

Caracas, 7 jun (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, propôs nesta terça-feira a instalação de uma comissão da verdade, o respeito às instituições e a cessação da violência como os três grandes temas para a agenda do diálogo que deseja instalar com seus opositores.

"O primeiro de tudo é a instalação da comissão da verdade, da justiça, e a reparação de vítimas e a paz, isso é o primeiro de tudo", disse o chefe de Estado venezuelano durante seu programa de televisão "En contacto con Maduro" na emissora estatal "VTV".

Esta comissão, que já tinha sido proposta por Maduro no início de 2016, buscaria reparar as vítimas dos protestos antigovernamentais de 2014 que foram liderados por, entre outros, o dirigente opositor Leopoldo López, atualmente na prisão pela violência em uma dessas manifestações.

Maduro assegurou que tem em seu poder uma carta do líder do partido Vontade Popular, detido em um prisão militar cumprindo uma condenação de quase 14 anos, na qual este aceita submeter-se a essa comissão.

"Tenho em minhas mãos a carta deste personagem obscuro da direita venezuelana submetendo-se à comissão da verdade", destacou.

Uma segunda proposta para os temas a serem abordados em um virtual diálogo com seus opositores "tem a ver com a agenda já estipulada, o respeito institucional e constitucional", indicou.

Maduro deixou claro que este ponto tem a ver com o parlamento venezuelano, controlado por seus opositores, que desde que tomaram o controle do Legislativo travaram várias batalhas institucionais com o Executivo e o Poder Judiciário.

Trata-se "de um encontro dos poderes públicos para o acordo do funcionamento do país", detalhou o presidente venezuelano.

Um terceiro aspecto pede "a renúncia à violência em todas suas formas, a cessação à violência em todas suas formas políticas, sociais, criminais, um grande acordo de paz e não violência", completou Maduro.

As três propostas serão enviadas à comissão internacional da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) integrada pelo ex-presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e os ex-presidentes Martín Torrijos (Panamá) e Leonel Fernández (República Dominicana), que atuam na qualidade de mediadores.

Desde que se anunciou esta iniciativa de diálogo, no último dia 19 de maio, uma comissão do governo chavista e uma da opositora Mesa da Unidade Democrática trabalham junto com os mediadores na elaboração de uma agenda para essas conversas.

A segunda reunião exploratória para esses diálogos, que deveria ter sido realizada ontem na República Dominicana, foi cancelada pela oposição, informou hoje a Unasul em comunicado.

Maduro afirmou que é "incrível" que a oposição "tenha se retirado e não tenha cumprido a palavra empenhada com os ex-presidentes e a Unasul, e vejam a reunião como uma ameaça e não como uma oportunidade".

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