Ryan acusa Trump de racismo por atacar juiz de origem mexicana

Washington, 7 jun (EFE).- O presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, o republicano Paul Ryan, afirmou nesta terça-feira que os ataques do virtual candidato de seu partido à Casa Branca, o magnata Donald Trump, a um juiz de origem mexicana são "comentários racistas".

"Lamento pelos comentários que ele fez", afirmou Ryan, que ocupa o terceiro cargo político mais importante dos EUA, em um ato realizado em Washington para apresentar um plano de luta contra a pobreza.

O líder republicano se referiu às acusações de Trump contra o juiz Gonzalo Curiel, nascido em Indiana, de pais mexicanos e encarregado do caso de suposta fraude na universidade que leva o nome do magnata.

Curiel ordenou na sexta-feira passada a publicação de mais de mil páginas de escritos judiciais sobre a Trump University devido ao interesse público que pode ter o caso, aberto em 2010 na corte do distrito Sul da Califórnia, com sede em San Diego.

Em resposta, o magnata acusou o juiz de tomar essa decisão por sua origem mexicana, o que considerou um conflito de interesses para o juiz devido à proposta de construir um muro na fronteira sul com o México para combater a imigração ilegal.

Ryan ressaltou hoje que "dizer que uma pessoa não pode fazer seu trabalho por sua raça é um tipo de definição de manual de comentários racistas".

"Acho que isso deveria ser absolutamente repudiado", disse o presidente da câmara Baixa, que considera "indefensíveis" as declarações do multimilionário nova-iorquino.

Ryan já criticou Trump na semana passada pelo mesmo motivo, mas com um tom muito mais moderado.

Também na semana passada, o líder republicano oficializou seu apoio a Trump perto das eleições de novembro para que seja o próximo morador da Casa Branca, após muitas reservas devido à retórica incendiária do multimilionário.

Os comentários do magnata sobre o juiz, a quem acusa de tratá-lo de "maneira hostil" ao investigar as demandas de fraude contra a Trump University, geraram uma grande controvérsia nos Estados Unidos.

A Trump University foi retratada em documentos judiciais como um negócio sem escrúpulos que pressionava estudantes pobres para que adquirissem cursos sobre negócios imobiliários e finanças cujas matrículas custavam quase US$ 35 mil.

As polêmicas declarações do empresário nova-iorquino também foram condenadas pelos senadores Marco Rubio e Ted Cruz, ex-rivais do candidato oficioso do Partido Republicano à presidência dos EUA na corrida para conseguir a indicação.

"É ofensivo. Deveria deixar de dizer isso. Está errado, o juiz é americano", indicou Rubio aos jornalistas no Senado.

"Não é apropriado atacar um juiz federal por sua raça ou etnia", comentou Cruz à rede "NBC" News.

O governador de Nova Jersey, Chris Christie, também ex-rival de Trump na corrida pela candidatura presidencial e agora próximo aliado, saiu hoje em defesa do multimilionário.

"Conheço Donald Trump. Conheço ele há 14 anos. E Donald Trump não é um racista", afirmou Christie antes de votar nas eleições primárias republicanas realizadas em seu estado, apesar do magnata não já ter adversários na corrida pela indicação.

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